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PERDEMOS A BATALHA, MAS NÃO A GUERRA

28.10.2018

Com 56% dos votos Bolsonaro assumirá a Presidência da República. O programa do Bolsonaro e seu vice militar ameaçam o regime político da Nova República Brasileira. Este velho político ganhou em um processo eleitoral totalmente atípico: com um estratégia pautada indústria de fake news, sob denúncias de milhões de reais utilizados em caixa 2 de campanha e recusando-se ao debate aberto entre propostas.

Nesta grave crise que atravessamos, sua campanha, baseada em mentiras e ódio, provou-se capaz de abocanhar votos indignados com o sistema político, as péssimas condições de vida, de trabalho e a crise de representatividade.

 


 

Não acreditamos que  todos os seus eleitores são fascistas. Ao mesmo tempo, o resultado dessas eleições é marcado pelo avanço de um pensamento fascista pelo mundo, que se espraiou a partir da crise econômica e política. Como aconteceu em outros momentos da história e em outros países, se apresenta em um conjunto de ideias de cunho nacionalista - de um Brasil restrito a uma parcela privilegiada - em torno de uma figura polêmica e populista. Parte do povo assume esse discurso como seu e enxerga entre os seus, um inimigo. Ele só se sustenta hoje porque camadas da burguesia exigem a implementação de reformas e diminuição dos direitos para trabalhadores.
 

Precisaremos refletir duramente sobre os erros cometidos pela esquerda nos últimos anos, para que sejamos capazes de impedir o crescimento das ideias conservadoras e de oferecer respostas para o povo nesta crise. Fizemos campanha para Boulos e Sônia no 1º turno, para Haddad e Manuela no 2º turno e afirmamos: diante da encruzilhada, o único caminho a ser seguido é o popular, com as maiorias e a defesa irrestrita de seus direitos.


Mestre Moa na Bahia, a transexual  Laysa em Sergipe e o jovem Charlione assassinado a tiros durante o ato de campanha de Haddad no Ceará há dois dias da eleição, são as provas mais brutais do que representa esta vitória. Centenas de relatos de violência e agressão a ativistas pelo país - especialmente contra mulheres e LGBTs - são responsabilidade do discurso do Bolsonaro. Há sangue em suas palavras e em suas mãos. Diante da ameaça de agravamento da ação destes que estão chocando o ovo da serpente do fascismo, não temos dúvida: a única solução é construir a luta antifascista de forma organizada e coletiva.
 

É hora de construir uma Frente Ampla Antifascista e em defesa da democracia com todos e todas que, apesar de suas diferenças, defendem a democracia! Perdemos uma batalha, mas não podemos sair do front. Nós temos esperança naquelas que estiveram à frente da mobilização de mulheres no dia 29 de outubro. Temos força naqueles(as) ativistas que foram para as ruas, locais de trabalho e estudo disputar votos e ideias contra Bolsonaro. A partir daí, nascerá uma oposição incansável a este governo.
 

Somos uma juventude que irá ocupar universidades e escolas com política antifascista, porque acreditamos na vitória, com trabalho de base e mobilizações. Somos mulheres, trabalhadores, negros, LGBTs, da liberdade religiosa, das favelas e periferias que não sairão das ruas para garantir nossos direitos e liberdades. Somos e continuaremos sendo Brasil. Queremos lutar contra o medo e ocupar as ruas, de mãos dadas com todos e todas que não querem ver o programa de Bolsonaro realizado.

 

Perdemos a batalha, outras virão. A luta pela democracia ainda está em campo.

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