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PRIMEIRO CONGRESSO ESTUDANTIL DA UFRJ: UM MARCO HISTÓRICO DE UNIDADE, DEMOCRACIA E LUTA

29.6.2018

 

“Quando cheguei, eles já sabiam de tudo
o mundo era deles, só me restava inventar um futuro”
Leminski


Depois de meses de construção que tiveram início no seminário de gestão do DCE Mário Prata “Que Nada Nesse Mundo Cale a Nossa Voz”, passando por vários Conselhos de CAs, eleições de delegados e delegadas em 45 cursos e reuniões da Comissão Organizadora do Congresso (COC), conseguimos realizar o I Congresso Estudantil da UFRJ. Foram 355 delegados eleitos e 271 crachás retirados que representam cerca de 22 mil estudantes, além de um total de 500 participantes credenciados. Conseguimos construir um congresso feito pelas nossas mãos, contando com a ajuda da UFRJ, do ANDES, AdUFRJ e do Sintufrj. Além de muita unidade de todo o movimento estudantil. Fomos nós estudantes, que resolvemos o local, que fizemos os crachás, o credenciamento, que passamos manteiga no pão do café-da-manhã. E isso diz muito sobre a política que queremos construir.

A nossa vida não tá fácil, temos que lutar para permanecer sem bolsa, resistir a um ensino que reforça a lógica meritocrática e nos adoece diariamente. Perdemos três colegas esse ano para o suicídio, perdemos a nossa vereadora Marielle Franco e somos vizinhos do local onde as operações militares tiraram vidas jovens ainda essa semana. Reunir mais de 500 estudantes, sob essa conjuntura de profundos retrocessos que recaem sobre cada um de nós, é a prova que o movimento estudantil segue firme e disposto a fazer do luto, luta. Disposto a reinventar para resistir.

A programação iniciou no sábado pela manhã com um debate sobre a conjuntura e a educação, com a diversidade de movimentos presentes e com intervenções de diversos estudantes. Em seguida, as 14 arenas temáticas que se reuniram durante a tarde foram cheias e muito qualificadas, colocando estudantes de todos os campi, cursos e movimentos para debater propostas inovadoras para a UFRJ sobre temas que tangem diretamente às suas vidas como Bilhete Único, Saúde Mental, Extensão, Democracia, Acessibilidade, entre muitos outros.

Nós, do RUA-Juventude Anticapitalista, construímos este congresso desde os seus primeiros passos, tanto na estrutura quanto na política. Apresentamos a tese “Me organizando posso desorganizar”, feita por muitas mãos, com centenas de assinaturas e pintou de laranja a maior bancada do congresso. A nossa tese trouxe como eixos prioritários aquilo que defendemos há anos na UFRJ: a centralidade da luta pela permanência, a democratização do Movimento Estudantil e uma saída à esquerda para a crise, que seja capaz de derrotar a direita neoliberal sem recair na lógica política de acordões-rifas de direitos, tocada pela velha esquerda.

Compreendemos, contudo, que é fundamental unificar os setores que vem construindo um movimento estudantil consequente em todo Brasil e por isso, apresentamos na plenária final as teses de conjuntura e educação que receberam a ampla maioria dos votos dos delegados presentes, “UFRJ sem medo” e “Educação Sem Medo”. A unidade dos movimentos RUA, Correnteza, Afronte, Juntos e UJC* vem desde as principais lutas da UFRJ no último período e nos atos de rua puxados pela Frente Povo Sem Medo contra o golpe, as reformas impopulares e que tem colocado o DCE Mário Prata na luta e do lado certo da história.

Para nós, a UFRJ sem medo é a unidade coerente que, junto dos movimentos sociais, se propõe a disputar a educação e o nosso país sem alianças com setores golpistas e o 1% mais rico, sem vender e negociar nossos direitos de portas fechadas, mas sim ao lado dos e das trabalhadores/as e dos movimentos sociais, retomando as maiorias nas ruas, de baixo pra cima. Sem medo, nos contrapusemos ao programa da chapa que obteve menos votos, daqueles que hoje constroem a majoritária da UNE, a oposição do DCE da UFRJ: “Novos Rumos”. Chapa essa que há décadas tenta se apresentar como o novo, cada hora com um nome diferente, mas são os setores que não veem problemas nas velhas alianças com o PMDB, um dos elementos que levaram ao golpe que vivemos hoje.

O centro político deste congresso, foi de armar o movimento estudantil da UFRJ para as principais tarefas do próximo período e construir uma grande campanha em defesa da permanência estudantil para que nenhum estudante tenha que abandonar sua matrícula por não ter condições de se manter. Aprovamos por unanimidade a campanha “Essa conta não fecha: queremos permanecer!”. Ela será operacionalizada a partir do próximo Conselho de Entidades de Base que deverá organizar todas as propostas apresentadas durante o Congresso e remeter para a Assembleia Geral dos Estudantes da UFRJ. Por enquanto, apontamos que a campanha deve ser articulada com os CAs, atléticas e comissões de trote para que todas as calouradas de 2018.2 pautem esse tema e articulem os estudantes em cada curso para uma grande mobilização no dia 11 de Agosto, dia do estudante, propondo para todo o Brasil um dia de luta pela permanência. Aprovamos também a existência de uma caravana do DCE para debater com os estudantes do Ensino à Distância sobre suas pautas e demandas, e articular formas de organizar essas agendas de luta.

Neste final de semana foi aniversário da nossa entidade, DCE Mário Prata, que completou 93 anos e saímos de lá de cabeça erguida e dispostos a colocar pra frente todas as propostas aprovadas rumo ao espaço que vai reunir todas as categorias da universidade: o Congresso da UFRJ. Convidamos à todos os coletivos, CAs e estudantes que construíram este congresso conosco a seguir na luta para dar consequência aos nossos sonhos e fazer da UFRJ uma universidade feita do povo e para o povo. É tempo de resistir, mas também de sonhar. É tempo de organizar a nossa luta!



“Pra entrar e permanecer, vem se organizar
UFRJ enegrecer, vem se organizar
feminista pra valer, vem se organizar
tá na RUA sem temer, vem se organizar
estudante vem lutar pra desorganizar!”
RUA Juventude Anticapitalista - Eu me organizando posso desorganizar!

 


* UJC apresentou tese própria de Educação 

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