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O gol da Inglaterra contra a LGBTfobia no futebol

23.6.2018

A copa do mundo 2018 está sendo sediada na Rússia, país em que existe forte sentimento de repreensão e aumento da violência contra pessoas LGBTs. Mesmo deixando de ser crime em 1993, no ano de 2013 entrou em vigor uma lei conhecida como “lei contra a propaganda gay’’, que tem por objetivo “proteger as crianças de informações prejudiciais a sua saúde e desenvolvimento”, o que, segundo a lei, inclui manifestações homoafetivas em público. A foto do beijo gay entre torcedores ingleses na primeira rodada da Copa já se coloca como o primeiro símbolo de resistência durante a competição a essa política adotada pelo governo Russo. Mas, além disso, ela também nos revela uma vitória contra o preconceito no futebol que já vem há anos. 

 

Em 1977, foi fundada no Brasil a Coligay do Grêmio,  primeira torcida organizada gay do país. Eles reivindicavam uma torcida mais animada e a igualdade entre torcedores héteros e homossexuais. Em meio a repressão, os “coliboys” conseguiram crescer e ganhar espaço na arquibancada, até 1983, quando a torcida encerrou as atividades. Com 36 anos de diferença, em 2013 surgiu na Inglaterra o “Gay Gooners” do Arsenal, a primeira torcida LGBT da Inglaterra. Hoje eles contam com um banner fixo no Emirate Stadium (estádio do Arsenal), e um espaço exclusivo no site do clube.

 

O nascimento dessa torcida estimulou a criação de outras por toda Inglaterra, tendo hoje 27 reconhecidas oficialmente pelos clubes, além das que atuam de forma independente e sem apoio. A “three lions pride” surge também nesse embalo, como a torcida LGBT da seleção inglesa, e vem nos últimos anos contando com o apoio da Federação Inglesa de Futebol, a Football Association (FA).

 

A FA tem em sua estrutura  o pilar “inclusão e anti-discriminação”, o qual incluiu alguns anos atrás o combate a LGBTfobia.

 

E como eles têm agido para não ser apenas um item fictício e esquecido?

 

Um plano de inclusão LGBT foi elaborado para um período de 5 anos (2013-2018), onde foram traçadas metas e propostas de programas de conscientização. A partir dele, a Premier League (primeira divisão do campeonato inglês) passou a contar com um mês dedicado ao combate a LGBTfobia, no qual jogadores fazem vídeos de conscientização, os estádios ganham as cores do arco-íris, e mensagens são expostas no telão. No resto da temporada também é possível ver mensagens contra o discurso de ódio, porém com menos intensidade. Além disso, foi criado o “Kick it Out”, aplicativo que serve para denunciar situações de ofensas por preconceito, abrangendo além do caso LGBT, também o racismo, intolerância religiosa, e gênero.

 

Durante a preparação da seleção inglesa para a copa, a FA junto aos Three Lions Pride buscaram aglutinar os torcedores LGBTs que pretendiam ir à Rússia para que fosse criado um ambiente seguro durante a competição. A Federação também providenciou uma bandeira da Inglaterra com as cores do arco-íris, e cachecóis no mesmo estilo para serem distribuídos entre essas pessoas. A bandeira e o beijo gay foram muito significativos para a competição e para o futebol como um todo.

 

Apesar de ainda haver situações de preconceito, a Inglaterra conseguiu mostrar que é possível mudar a realidade do “futebol hétero”, e caminha para cada vez mais sair do armário. No Brasil as torcidas LGBTs ainda estão tímidas, mas conseguimos encontrar perfis em redes sociais que buscam o contato entre esses torcedores. A luta é difícil, mas é possível. Por que não lutar por um Estatuto do Torcedor mais eficaz em combater discurso de ódio e menos em censurar a festa nos estádios? Por que não fazer campanhas de conscientização durante os campeonatos? O esporte e o lazer são direitos humanos, e não devem ser privilégio de nenhum grupo!

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