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10 motivos para ser contra militares no poder

29.5.2018

 



Com a grave crise econômica, política e social brasileira, saídas autoritárias têm se apresentado como solução para “botar ordem na casa”. É preciso ficar alerta! Mais militarismo não resolve os problemas do país, ao contrário: com menos liberdade, o povo sai perdendo em direitos e participação. Confira 10 motivos para ser contra militares no poder:

1. PODER MILITAR = MENOS DEMOCRACIA. Se as forças armadas controlam os poderes do Estado (ditadura) ou controlam determinada situação que deveria ser responsabilidade de outro tipo de força (intervenção), é retirado do povo os poucos mecanismos que têm para defender seus direitos e definir os rumos do país. A atual democracia brasileira é limitada, mas isso se resolve com mais representatividade, controle social do judiciário, plebiscitos, referendos e instrumentos de auto-organização. Ao longo da história, o povo decidir foi sempre melhor do que um pequeno grupo armado no poder!

2. A DITADURA NÃO RESOLVE A CORRUPÇÃO. Essa é a principal justificativa para os que pedem a intervenção, mas a ditadura militar no Brasil não combateu a corrupção, muito pelo contrário: com o poder na mão de menos pessoas, mais escândalos ficavam escondidos. Mesmo com a censura, que impedia divulgação de dados econômicos do governo, vieram a público diversos casos de enriquecimento ilícito, desvio de dinheiro por empresas de militares, favorecimento de empresas estrangeiras e envolvimento ilícito com empreiteiras. Uma ditadura não acaba com a corrupção, mas silencia os que a denunciam.

3. A DITADURA LEVOU A UMA DAS MAIORES CRISES ECONÔMICAS NO BRASIL. O “milagre econômico”, período de crescimento entre 1968 e 1973, que Bolsonaro reivindica, se deu com base em endividamento externo, contenção do salário mínimo e uma enorme dependência ao capital internacional. Com a recessão mundial de 1974, os militares aumentaram a dependência ao FMI e aos Bancos Internacionais, transferindo depois a conta para os trabalhadores e a classe média, com arrocho e desemprego em massa. Saúde e educação foram sucateados e privatizados para garantir o envio das reservas econômicas para o capital internacional. O resultado da ditadura foi uma das maiores crises econômicas da nossa história e a ampliação da desigualdade social.

4. RESTRIÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS. Não são poucos os relatos e documentos sobre torturas e assassinatos promovidos a mando dos generais nos anos da ditadura no Brasil. Estupros, choques elétricos, pau de arara e afogamento eram algumas das táticas de tortura realizadas nos porões da ditadura. Com o fim do período ditatorial se tornaram conhecidos casos de violência e tortura até mesmo contra crianças. Mesmo passado mais de três décadas do fim deste regime ainda não foi realizada a abertura total dos arquivos da ditadura, tornando esse período uma ferida aberta da nossa história. A falta de transparência sobre os crimes da ditadura impede que se faça justiça para os torturados e que se puna os torturadores. Tortura, nunca mais!

5. CENSURA E ATAQUE À IMPRENSA. Receita de bolo no jornal? Isso no período da ditadura era sinal de notícia censurada, ou seja, impedida de circular pelos ditadores. Os brasileiros não tinham o direito de saber o que ocorria no país: todas as notícias sobre o governo deveriam ser positivas. Isso também explica porque algumas pessoas ainda acreditam no mito de que “no tempo dos militares as coisas eram melhores”. Já imaginou como seria a censura hoje? O que você poderia publicar nas suas redes sociais? E no WhatsApp, que mensagens você poderia mandar? Até a greve dos caminhoneiros seria proibida.

6. SUCATEAMENTO DA SAÚDE PÚBLICA. Você sabia que o direito da saúde pública para todos os brasileiros, através do Sistema Único de Saúde (SUS), só foi implementado na década de 90? O sistema foi instituído pela constituição de 1988, que marca o processo de redemocratização no Brasil. Mesmo com todas as falhas do nosso atendimento em saúde, hoje temos um atendimento muito mais democrático e acessível do que na época da ditadura. Hoje o SUS é referência para 71% dos brasileiros, enquanto em 1976 98% das internações eram feitas em hospitais privados. Antes do SUS, apenas trabalhadores com carteira assinada recebiam atendimento.

7. EDUCAÇÃO COM MORDAÇA. Com a justificativa de “acabar com a ideologia nas escolas”, os currículos brasileiros substituíram disciplinas importantes para o desenvolvimento de uma autonomia e consciência crítica nas crianças, como Filosofia e Sociologia, por matérias como Educação, Moral e Cívica, que serviam para exaltar o governo, sem questionamentos, nas escolas. Além disso, durante a ditadura, os níveis de investimento em educação eram baixíssimos e o programa de alfabetização do governo - conhecido como MOBRAL - mostrou-se um tremendo fracasso, não conseguindo combater o alto nível de analfabetismo do país.

8. A MILITARIZAÇÃO DA SOCIEDADE AUMENTA A VIOLÊNCIA. Hoje, no Brasil, o número de assassinatos é semelhante a países em guerra, como a Síria. No 1º trimestre de 2018, 14 jovens morreram por dia no Ceará. Há um verdadeiro genocídio de jovens e negros em curso. Resolver os conflitos sociais com mais militarização significa que mais gente vai morrer. Nossa sociedade precisa de justiça e medidas inteligentes de enfrentamento à violência - e não de um Estado ainda mais armado e letal.

9. CULTURA É CASO DE POLÍCIA. Letras de músicas censuradas, livros proibidos, invasão de peças teatrais e agressões a artistas - na ditadura qualquer manifestação artística que pudesse ser minimamente crítica ao governo era resolvida com polícia, agressão e prisão. Um governo que trata a arte e a cultura de forma repressiva gera uma sociedade que não cultiva a criatividade, nem expressa sua liberdade.

10. NÃO PODER PROTESTAR = MENOS DIREITOS. Nenhum direito social foi alcançado sem direito ao protesto. Durante a ditadura, os trabalhadores sofreram graves ataques aos seus direitos que só foram possíveis porque os sindicatos estavam sob intervenção do governo e o direito à greve era restringido. O salário era pouco, os preços eram altos e o silêncio era obrigatório. Atualmente já vivemos um período de criminalização aos movimentos sociais e uma crescente assustadora de assassinatos de lideranças populares. Uma ditadura agravaria esse quadro. Sob um regime militar só existem duas opções: Ou se sofre quieto, ou se reclama apanhando.

 

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