Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons by-sa 3.0. Rua_Juventude Anticapitalista, exceto quando proveniente de outras fontes ou onde especificado o contrário. 

Manifesto do II Acampamento Estadual do RUA Ceará

1.2.2018

 


MANIFESTO DO II ACAMPAMENTO ESTADUAL DO RUA_JUVENTUDE ANTICAPITALISTA

2018 será um ano decisivo para a juventude brasileira. Pouco após um ano do golpe encabeçado por Michel Temer e apoiado pelos setores dominantes de nosso país, sentimos na pele o conjunto de ataques aprovados contra nós – a EC 95 e a contrarreforma trabalhista são apenas exemplos. Nossa geração nunca havia experimentado um neoliberalismo tão brutal, atingindo diretamente nossos direitos e condição de vida. Para este ano, o (des)governo anunciou que pretende votar a contrarreforma da previdência em fevereiro. A agenda econômica do golpe segue em curso e pretende se aprofundar, exigindo de nós generosa capacidade de unidade nas ruas para enfrentá-la. Caminhando em paralelo com a agenda econômica regressiva, graves ataques à democracia foram empenhados em nosso país. Sabemos das limitações da democracia burguesa brasileira, fortemente marcada pelo patrimonialismo, entretanto não nos furtaremos de denunciar quaisquer medidas que atentem contra conquistas das trabalhadoras e trabalhadores e da juventude.

No Ceará, estado cuja capital é a que mais mata jovens no nosso país, aconteceu durante nosso encontro a maior chacina da história recente de nosso estado, ocorrida nas Cajazeiras. O triste acontecimento é sintoma da guerra às drogas vigente em nosso país, cuja reprodução se dá através das políticas promovidas por Camilo Santana (PT), que alimenta a repressão nas comunidades e é ativa no genocídio do povo negro. Reafirmamos nossa defesa da legalização das drogas porque a guerra contra elas diariamente mostra seus efeitos de restrição de liberdades e de barbárie através do encarceramento massivo e extermínio da população pobre das periferias. Entendemos que o problema da violência não se explica apenas pela política de guerra às drogas, mas sim se articula com a brutal desigualdade social existente no Ceará, consequência estrutural do desenvolvimento capitalista. Políticas de segurança direcionadas à periferia com o viés de repressão e controle social, a exemplo da Torre de Vigilância no Jangurussu (projeto imposto pelo vice-prefeito Moroni Torgan), não resolve em nada um problema que é proveniente sobretudo da ausência de direitos e da falta de perspectiva de educação e/ou trabalho.

Tem crescido a violência e a frequência de ataques às populações LGBT+ e periférica. O Ceará é o estado campeão em transfeminicídios, sintoma do crescimento do conservadorismo no mundo, que se reflete em casos como o recente ataque de um grupo fascista chamado “Carecas do Brasil” a LGBTs negros em Fortaleza. O RUA se coloca com força na luta antifascista! Não há espaço na sociedade que queremos construir para pessoas e grupos que reproduzem pensamentos e ações de cunho intolerante! Diante da atual conjuntura, a juventude necessita se fortalecer através da organização coletiva e se articular em defesa do nosso futuro. É nós por nós! A contrarreforma da previdência atinge frontalmente os direitos das mulheres que, por suas jornadas duplas e triplas, causadas pela divisão sexual do trabalho, encontram muito mais dificuldades para adentrar e ascender no mercado formal e, consequentemente, atingir o tempo de contribuição. Além dos retrocessos no campo trabalhista, as mulheres encontram grandes desafios referentes aos seus direitos reprodutivos, em uma conjuntura de crescente conservadorismo e propagação de discursos moralistas sobre nossos corpos. É pela vida das mulheres!

Saímos de nosso II Acampamento Estadual com algumas convicções, dentre elas a necessidade de estarmos à altura de nossa responsabilidade histórica. Por isso, nosso compromisso permanece em manter acesa a esperança de que uma nova vida é possível, materializando-se em:
- Lutar incessantemente em conjunto com a Frente Povo sem Medo, centrais sindicais combativas e demais frentes de resistência contra a contrarreforma da previdência;
- Lutar contra o golpe e denunciar qualquer tentativa de retrocessos democráticos, construindo uma alternativa que aprofunde a participação popular e dos movimentos sociais;
- Denunciar o extermínio vigente nas periferias de Fortaleza e nas cidades do interior;

- Buscar promover a cultura de paz entre os nossos a partir da produção cultural nas periferias (reggae, saraus, batalhas, ocupações...) e organização juvenil;
- Realizar a I Escola Popular de Comunicação com o objetivo de fortalecer canais contra-hegemônicos de produção e difusão de conteúdo;
- Construir outra perspectiva de segurança pública, a partir dos de baixo, em conjunto com o Fórum Popular de Segurança Pública e o Comitê Cearense pela Desmilitarização da Polícia e da Política.

Nossa geração possui uma responsabilidade histórica que não pode ser desprezada. Precisamos organizar o revide aos ataques do governo contra a classe trabalhadora e a juventude. Nós, do RUA, reafirmamos o nosso compromisso junto aos demais lutadores e lutadoras sociais de nosso país! Pra cima, juventude!
Please reload

Please reload