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Não iremos às RUAs defender o projeto petista, mas nunca deixaremos de defender a democracia!

23.1.2018

Nunca deixaremos de defender a democracia! 


O ano de 2017 deixou evidente os motivos do golpe: efetivar políticas regressivas contra a classe trabalhadora e os povos oprimidos. Em 2018, começamos a sentir os impactos da Reforma Trabalhista e da PEC 95 que limita os gastos públicos nas áreas sociais. Infelizmente, isso ainda é pouco para os de cima: querem determinar quem pode ou não concorrer às eleições e aprovar a Reforma da Previdência. Precisamos nos levantar contra estes ataques!

As divisões entre a burguesia estão públicas, já não fizeram todos os pactos ainda e nem afirmaram quais serão as caras públicas do seu projeto nas eleições. Esse é um dos motivos para acelerar o julgamento de Lula na sede do Tribunal Federal da 4a região, em Porto Alegre, sobre a acusação relativa ao apartamento tríplex no Guarujá.

Um espetáculo político-midiático já está armado. Faltam provas contundentes neste caso específico, para justificar uma condenação. Assim, rompem-se preceitos jurídicos e fica nítida a seletividade de parte do poder judiciário, que marcou a Operação Lava-Jato, desde o seu início. A ideia é criar uma narrativa de combate a corrupção em torno de sujeitos específicos. Por que Temer, Aécio e tantos outros, mesmo com provas contundentes, não sofrem condenações e podem se candidatar? Não podemos aceitar que poder judiciário determine quem serão os candidatos nas eleições.

Sabemos que o fechamento da democracia se volta hoje contra o direito do Lula de ser candidato, mas a afirmação dessa lógica parcial e seletiva pode afetar movimentos sociais e outras lideranças de esquerda, com mais força do que já tem ocorrido. Não passamos cheque em branco para Lula ou qualquer liderança política, mas acreditamos que condenar o Lula, sem provas contundentes, para evitar que ele seja candidato é parte da agenda do golpe.

Não temos dúvida que os governos do PT, ao adotarem a estratégia de conciliação de classes, estiveram inseridos na lógica corrupta do capital de relação entre público-privado. E que os seus, não estão livres de serem condenados, caso se apresentem provas para tal. No entanto, este julgamento, da mesma forma que foi um impeachment sem crime de responsabilidade, autoriza o judiciário a atuar de forma incontrolável. Falamos do mesmo sistema que encarcera e extermina a juventude negra e persegue cada vez mais os movimentos sociais.

A democracia no Brasil é limitada, tem gênero, raça e classe. O povo pobre, negro e periférico conhece a força da polícia e o medo do encarceramento em massa. Precisamos lutar por uma democracia das maiorias, dos negros, das mulheres e dos trabalhadores. Não iremos tolerar nenhum retrocesso. Queremos ampla liberdade para a atuação dos movimentos sociais e das lideranças de esquerda.

Somos solidários aos movimentos sociais de Porto Alegre que desde muito cedo em 2018 se deparam com a repressão ironicamente justificada pelo julgamento. No dia 13 de janeiro, ocupações da população de rua foram despejadas sem notificações em função da proximidade com o local do TRF-4, na área central da cidade. Cerca de 15 pessoas que viviam nas imediações do Parque Harmonia tiveram seus pertences levados. Um vídeo mostra a utilização de uma escavadeira para destruir barracos e intimidar a população de rua. Não temos dúvidas de que a política de repressão sempre atingirá primeiro e mais duramente aqueles que diariamente têm seus direitos violados pela falta de estruturas básicas para a sobrevivência. Nosso apoio a todas e todos os atingidos e ao Movimento Nacional da População de Rua. Não aceitaremos o espetáculo do julgamento de Lula em Porto Alegre como desculpa para uma violência sem precedentes!

O momento é delicado e, mesmo com diferenças programáticas e estratégicas, defendemos o direito do Lula de ser candidato. Retirá-lo da disputa eleitoral de 2018, inauguraria uma nova etapa do golpe institucional. Acreditamos que a superação do lulo-petismo é urgente, mas deve se dar através da recomposição dos movimentos sociais, das lutas de base e de um novo programa que sintetize a superação do velho pacto de conciliação entre os de baixo e os de cima. Nós, do RUA Juventude Anticapitalista, nos colocamos a serviço dessa tarefa desde a nossa fundação. Para nós, a luta pela democracia sempre fez e sempre fará parte deste projeto.

Por isso, estaremos presentes apenas nos atos do dia 24 que apresentem como chamada a defesa da democracia, que abram espaço para aqueles(as) que não estão na campanha do Lula em 2018, mas fazem unidade de ação democrática. Nos somaremos nas colunas da Frente Povo Sem Medo em cidades como São Paulo, onde, lado a lado com os companheiros, lutaremos por democracia, mas não em defesa do petismo em 2018. Ao mesmo tempo, não faremos coro aos atos que se desenham como início da campanha petista à presidência, projeto do qual fomos oposição à esquerda nos últimos anos.

Entendemos que a luta contra a continuidade do golpe, neste momento, passa por convocar novos atos massivos contra a reforma da previdência, pela defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro, contra os retrocessos colocados pelo governo de Michel Temer. Estaremos presentes em todas as articulações e manifestações que apontarem para essa agenda. Não iremos às RUAs em defesa do projeto petista, mas nunca deixaremos de defender a democracia! Convocamos as lutadoras e lutadores para construirmos juntos os próximos capítulos de nossa história. 

 

 

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