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Em defesa da democracia no movimento estudantil da PUC RS

 

Durante mais de 20 anos o movimento estudantil da PUCRS vivenciou uma verdadeira máfia à frente de seu DCE. Foram fraudes eleitorais, gestões com portas fechadas e desvios de verbas marcaram quase três décadas de uma das universidades mais importantes do país. Precisamos retomar essa história para que os tempos de máfia não voltem a assombrar os estudantes da PUCRS!

 

Por muitos anos, as e os estudantes foram completamente excluídos de sua entidade representativa mais importante. Para manter os alunos longe de qualquer processo relacionado ao DCE, a gestão utilizou de variadas artimanhas criminosas, que iam desde fraude de urnas, até manobras judiciais para barrar os processos democráticos. Os mesmos métodos eram utilizados para permanecer no poder nos centros acadêmicos da universidade, acumulando dinheiro do repasse da universidade, cargos e regalias políticas dentro da PUCRS. Foi por se utilizar de métodos indecorosos, assim como utilizar o DCE como plataforma política e, principalmente, financeira para os partidos que provinham, que esse longo período ficou conhecido como os anos de Máfia do DCE da PUCRS.

 

Ao longo desses anos a oposição lutou, com muita coragem, para derrubar tal máfia. Mesmo que sem sucesso, os movimentos passados abriram espaço para a primeira construção vitoriosa, feita no ano de 2011. O movimento que ficou conhecido como 89 de junho pôs fim à hegemonia da máfia do DCE. Através de uma ocupação na universidade, das articulações puxadas pelo Conselho de Entidades de Base - CEB LIVRE, e retomadas de importantes centros acadêmicos, como o Centro Acadêmico Arlindo Pasqualini (CAAP), foi possível, em novembro de 2012, garantir uma eleição democrática para o DCE.  

 

Com a derrubada da máfia, vivemos gestões de luta pelos estudantes, destacando mobilizações contra o aumento das mensalidades e contra os cortes dos programas FIES e Prouni, tendo a assistência estudantil como pauta central do movimento.

 

2017: lutamos mais uma vez por democracia

 

Em abril de 2017, pela primeira vez desde a redemocratização, os campos identificados com a direita (Livres e PSDB) dentro da universidade se elegem. O que por sete meses foi pintado como uma gestão democrática, caiu por terra no dia 05 de dezembro. Os atuais integrantes do DCE mostraram que foram capazes de aprender as lições fraudulentas com a antiga máfia. Sem realizar assembleia ou qualquer tipo de consulta ao conjunto dos estudantes da universidade, a gestão Eclipse mudou o estatuto construído pelo movimento estudantil da universidade em 2013. Entre as mudanças do estatuto ilegítimo está a extinção do CEB. Para completar a tentativa de golpe, a atual gestão chamou às pressas uma reunião para “deliberar sobre as eleições”, avisando apenas seus centros acadêmicos parceiros.

 

Com a mobilização do movimento estudantil da PUCRS, foi possível barrar tal fraude. Mesmo assim, as cenas foram de barbárie e violência. A advogada dos centros acadêmicos Ana Luísa Teixeira Nazário, foi impedida de ingressar na reunião e agredida, assim como outros militantes que estavam no local. Não nos calaremos! Não aceitaremos uma nova máfia dentro da PUCRS!

 

Crédito: Joana Berwanger 

 

Quais os caminhos para o movimento estudantil da PUCRS?

 

Tivemos uma vitória importante barrando a reunião que buscaria “legitimar” a fraude, mas ainda não garantimos a realização das eleições democráticas dentro da universidade. Mais do que nunca, precisamos atuar de maneira conjunta, coerente e responsável no movimento estudantil da PUCRS. Para nós, a construção mais importante neste momento passa pelo fortalecimento dos CAs e DAs da universidade, e garantia de realização de um CEB autônomo. A escolha pelo período de férias para conduzir tal golpe não foi um acaso. Mas não podemos permitir que isso nos desmobilize.

 

É necessário sensibilizar todas e todos os alunos da universidade sobre o passado do nosso movimento estudantil, lembrando dos tempos de máfia, mas também dos tempos de resistência. É comum a direita agir de forma sorrateira para alienar os estudantes dos processos eleitorais, assim como de tomada de decisões, portanto, cabe a nós o retorno às bases estudantis, fortalecendo as entidades de base e empoderando os estudantes nesse processo. Num contexto nacional que trata o antidemocrático como norma, não podemos permitir que uma gestão de DCE alinhada a essa forma de pensamento prossiga seus mandos e desmandos. Um DCE que age pelas costas dos estudantes não é um DCE legítimo. Com o protagonismo e a construção cotidiana das entidades de base é que garantiremos um processo de resistência, luta e democracia na PUCRS.

 

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