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Sobre racismo, historia, mídia e Rio Grande do Sul!

 

* Publicado originalmente pelo facebook do Tito Serafim

Estava passando TLC um programa da Bel lobo cujo nome não me lembro, é um programa de culinária e viagem, ela visita várias cidades e regiões do Brasil. Em busca de pratos típicos, acaba contanto um pouco do contexto histórico do lugar. Pois bem, o episódio que acabei de ver era sobre Pelotas e o charque.

 

Segundo o programa a cidade é famosa pelos doces, herança portuguesa, pelo charque e pelos barões do charque. Em nenhum momento se fala sobre o contexto escravocrata da cidade e da região, sobre a herança do povo preto na cultura gaúcha e sobre o quanto a escravidão nessa região foi violenta, muito pelo contrário, o que vi foi uma romantizacão desse período, enaltecendo o fato do charque ser considerado o primeiro produto indústrializado do Brasil. Não sou pelotense, nem gaúcho, estou morando na cidade de Rio Grande a quase 3 anos, cidade próxima de Pelotas e com contexto escravocrata igualmente parecido.

 

Antes de vir pro sul sabe qual era meu imaginário sobre o pampa e o gaúcho? Uma região extremamente branca, onde a presença de pessoas negras e elementos desta cultura eram praticamente inexistentes, não por acaso, trata-se de uma construção histórica e política que enaltece a história do gaúcho e do povo do sul, como sendo majoritáriamente branca e eurocentrica, isso em detrimento das culturas indígenas e negras, apagamento histórico, invibilizacão. Ao ver esse programa fiquei aguçado e instigado a pensar e refletir sobre. Quase tudo q se ouve falar da cultura gaúcha e do Sul do Brasil, diz respeito aos elementos herdados da europa, pouco ou nada se fala das contribuições do povo preto e dos povos indígenas, de tão instigado que fiquei resolvi dar uma pesquisada e descobri que muitos, muitos mesmos, elementos da própria composição da figura do "gaúcho" são na verdade herdados da cultura africana trazida pelos escravizados e indígenas que viviam nessa região, como por exemplo: elementos das danças típicas, culinária e até mesma a bombacha. Além disso tudo, se a gente andar por Pelotas e Rio Grande vai notar que essas cidades tem muita gente negra, óbvio que a exemplo de Pelotas essa população majoritariamente não está no centro e nas áreas "nobres" e sim nas periferias e bairros afastados, ou seja, os descendentes do povo que morreu e deu o sangue pra construir os casarões e prédios históricos que o programa da bel mostrava, sequer tem acesso a eles e muitxs nem tem acesso uma moradia digna.

 

Conclusão, a história é racista e não imparcial, a mídia hegemônica colabora pra reproduzir essa ideologia racista. O povo que ocupou o nível mais baixo da estrutura social e sofreu/sofre com a exploração do capital e do sistema capitalista a nível máximo, sempre será assim apagado e silenciado por essa história feita pela e para a burguesia branca. Enquanto vivermos em uma sociedade capitalista e escravocrata a mídia hegemônica assim sempre será, em época de Enem, vamos enegrecer os cursos de história meu povo.

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