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SEGUIR NAS RUAS SEM TEMER! ORGANIZAR A RESISTÊNCIA POR DIREITOS!

31.8.2016

     Hoje se encerrou a longa novela do impeachment. O período de colaboração de classes no Brasil se interrompeu pela força de um golpe parlamentar. Não temos motivos para comemorar: quem encerrou os 13 anos de tragédia da colaboração de classes foram setores da direita mais  reacionária, e substituem o governo petista por um de violenta ofensiva contra os explorados e oprimidos.

       Enfrentaremos agora ataques sem precedentes para nossa geração. Michel Temer, presidente ilegítimo, vem mostrando a que veio desde a montagem de seu governo. O ministro da justiça defende que o país precisa de “mais armas e menos pesquisa”; o ministro da educação quer impor uma mordaça sobre as escolas, por um regime de pensamento único. Já foram cortadas parcelas enormes do investimento público em educação, como nas bolsas de pesquisa e nas verbas para as universidades, além de estar prestes a ser autorizada, pela PEC 395 de 2014, a cobrança de mensalidades nas pós-graduações lato sensu em universidades públicas.

Por mais que, a bem da verdade, uma parte das políticas de Temer dê continuidade ao que vinha fazendo o governo Dilma, é impossível dizer que o impeachment “não muda nada”. O governo golpista de Temer vem aplicando o ajuste no curto prazo, atacando os gastos e investimentos públicos nas áreas sociais e nos nossos direitos -- mas também já tem no gatilho, para o pós-eleições, ataques estruturais contra a classe trabalhadora. As contra-reformas trabalhista e da previdência prometem levar nossos direitos literalmente para 100 anos atrás. Querem nosso futuro muito, mas muito pior que o das gerações que nos antecederam.

 

 

Para derrotar Temer, não repetir os erros

      Para nós, desestabilizar o governo Temer segue no topo das prioridades. Quanto mais aceitação e mais capacidade ele tiver de governar, melhor pra eles e pior pra nós. Lutaremos contra todas as medidas do governo golpista, defendendo nossos direitos e condições de vida. Somos a geração que recolocou as ruas no centro da política, e não poderíamos abaixar nossa cabeça para a ofensiva desesperada do capitalismo contra nós.

       Entendemos que vai ser preciso criar outra relação de forças no país, que supere aquela dos governos petistas. Isso porque o PT aplicou um projeto que não era o que marcou sua fundação, de lutas massivas e independentes. A consequência foi óbvia: o PT, há tempos, não é mais uma ferramenta da classe trabalhadora para a transformação radical da sociedade. Ao contrário, a direção do PT apostou num projeto de colaboração de classes, na expectativa de que era possível “governar para todos” se as partes envolvidas trabalhassem em conjunto, mãos dadas entre operários e industriais, banqueiros e sem-teto, camponeses e latifundiários.

       Por isso mesmo, não reivindicamos o legado dos recentes governos e batalhamos nos últimos anos contra as políticas petistas que caminharam rumo à privatização, terceirização e precarização dos serviços públicos, como educação e saúde.

   Já para os de cima, esse cenário era ótimo. Explorados e oprimidos perdendo força política perante um governo que, pelo menos na aparência, representava a classe trabalhadora. Numa situação de crescimento econômico, ainda, era possível fazer concessões à classe trabalhadora com oferta de crédito e a garantia limitada de alguns direitos.

 

 

 

      Dois fatores mudaram de vez o cenário. Um primeiro foi a crise econômica mundial do capitalismo: com menos dinheiro na roda, e com os poderosos ansiosos em não perder seus lucros, o espaço para “colaboração” diminui. Alguém tem que perder, e foi esse o projeto que Dilma vinha aplicando em seu governo. Ainda que em menor medida que Temer, Dilma também veio para fazer valer a agenda do empresariado.

       O outro foi que, principalmente a partir de Junho de 2013, ficou evidente que o PT não podia mais controlar as insatisfações dos explorados e oprimidos. A acomodação deu lugar a mobilizações massivas que demonstraram insatisfação com o conjunto dos governos, e sem nenhuma direção “tradicional” reconhecida. As Jornadas de Junho abriram um novo ciclo político porque recolocaram as mobilizações massivas no cotidiano da população e porque estabeleceram uma polarização que vem se desenvolvendo desde então: de um lado, uma direita muito bem armada politicamente que soube canalizar Junho para o impeachment, e de outro uma esquerda independente que vem se fortalecendo especialmente na juventude e nos movimentos por moradia.

         Resistir ao governo golpista e não dar sossego para Temer é fundamental. Mas não poderíamos fazer isso repetindo os erros do passado. Para derrotar de vez o governo e a crise, precisamos construir nas lutas uma alternativa de massas, radical e independente, dos de baixo contra os de cima!


 

Defender o nosso futuro

         A direita pode ter vencido o golpe no Senado, mas não nos derrotou nas ruas. As mobilizações desse começo de semana foram um sinal do que virá: a luta pelo Fora Temer continua! Seguiremos na rua por novas eleições gerais sob novas regras: o povo é que deve decidir!

      A situação política, no entanto, é outra. Temer já confirmou, na prisão de 4 militantes do MTST nessas mesmas mobilizações, que sua disposição é de fato profundamente antidemocrática. Lutamos em outra conjuntura, mas seguiremos sem medo. Nosso presente é nas lutas por um futuro melhor para todos e todas nós.

Por isso mesmo, é urgente derrotar Temer e seu governo de ataques aos direitos dos explorados e oprimidos. Lutaremos por toda a unidade que for possível contra os ajustes do governo ilegítimo. Para derrotar tamanhos ataques, só com muita unidade dos de baixo!

     Para sermos vitoriosos, as lutas imediatas precisam estar combinadas com as nossas tarefas estratégicas. As lutas contra as medidas do governo golpista só serão vencidas com a luta pela construção de um polo à esquerda e independente, dos explorados e oprimidos, na disputa do legado de Junho de 2013.

        A saída, portanto, está pela esquerda e na superação, de uma vez por todas, das expectativas de colaboração de classes. Mas isso não acontecerá rapidamente. Será necessário um longo ciclo de lutas e resistências dos de baixo para derrotar os de cima e vencer a crise. Apenas com coerência e radicalidade, nas ruas e nas lutas, poderemos defender nosso futuro. Desde já, reafirmamos: faremos resistência dos de baixo contra as elites e o governo ilegítimo de Temer! Não aceitaremos nenhum direito a menos!

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