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#ForaTemer - Plebiscito por eleições gerais já!

27.7.2016

 

 

O mês de Agosto será marcado pela retomada da polarização política no país. A votação do impeachment de Dilma no Senado está prevista para o fim do mês: a consolidação ou não do golpe parlamentar, organizado pelos setores mais conservadores e reacionários da burguesia brasileira, deve voltar ao centro das atenções de toda a população. Mais uma vez, as ruas devem ser palco da polarização entre aqueles que são contra e a favor do impeachment em atos convocados pela direita e pela esquerda. No dia 31 de Julho, nós, do RUA - Juventude Anticapitalista, estaremos novamente com o MTST, a Frente Povo Sem Medo e diversas outras organizações de esquerda na luta pelo Fora Temer, pela defesa de nossos direitos e para que o povo decida os rumos do país.

 

O PT e o golpe parlamentar

 

Nos últimos 13 anos a política de colaboração de classes dos governos do PT retirou direitos da classe trabalhadora e aprofundou o desenvolvimento capitalista no país. Fez avançar, na educação e na saúde, uma série de privatizações. Teve como ponta de lança econômica o agronegócio e a destruição da natureza, os bancos e o sistema financeiro, as empreiteiras e as desastrosas mega-obras e eventos. A renda foi distribuída, mas é preciso dizer que foi em pequena medida e em comum acordo com a burguesia, que teve como condição o aumento de seu lucro, através da expansão do crédito e endividamento da classe trabalhadora. E, claro, tudo isso sem qualquer avanço na garantia de direitos. Ainda assim, o governo Dilma  se mostrou insuficiente para os interesses da burguesia.

 

Após as Jornadas de Junho de 2013, em que uma nova geração de ativistas e movimentos sociais tomou as ruas em mobilizações massivas, o sinal foi dado: o PT já não era mais capaz de controlar o conjunto dos movimentos sociais. Para a burguesia, estava nítido que o pacto de colaboração de classes já não era garantia de estabilidade política -- os ajustes e a agenda de ataques, agora, poderiam encontrar forte resistência nas ruas -- e que seria necessário disputar essas mobilizações e suas pautas. E assim foi feito. Criou-se então um pólo à direita com lastro social e expressão de massas, em especial a partir de Março de 2015, além de uma agenda política de retrocessos conservadores. Com esse cenário, derrubar o governo Dilma não era só desejável, mas também possível para a burguesia. Era hora de abandonar a colaboração de classes para uma política burguesa “puro sangue”.

 

Sustentado por mobilizações massivas de setores médios dirigidos pela direita, convocados por entidades como a FIESP, a Rede Globo e “movimentos sociais” financiados por partidos da velha direita como o MBL, Revoltados Online e Movimento Vem pra Rua, as manobras jurídicas possibilitaram o golpe institucional, instalando o governo ilegítimo de Michel Temer e abrindo espaço para uma disputa em que pode prevalecer um deslocamento à direita na política geral do país e da região. Mas não podemos encarar essa disputa como definida de antemão.

 

O governo ilegítimo e golpista e o Fora Temer

 

Não demorou muito para a governo ilegítimo de Temer mostrar a que veio. Já nos primeiros dias montou um ministério tenebroso de verdadeiros inimigos do povo, como Alexandre de Moraes (antes Secretário de Segurança Pública de São Paulo e chefe de sua Polícia Militar recordista em violência) para a Justiça; e Mendonça Filho, que chamou Alexandre Frota para debater políticas educacionais, para chefiar o MEC. Anunciou medidas como o Projeto de Lei Escola Sem Partido, que remonta estruturas educacionais de regimes de exceção; flerta com um brutal ataque à CLT e pretende aprovar, de maneira ainda mais rígida, a Reforma da Previdência, em tramitação desde o governo Dilma.

 

Com isso, o governo Temer vem enfrentando resistência nas ruas, pois, ainda que prevaleça o peso da direita, o espaço para a oposição de esquerda tem se ampliado cada vez mais  É notável a retomada de lutas massivas, desde as mobilizações de Junho de 2013, passando pelo movimento pela reforma urbana, aumento e radicalização de greves de diversos setores em todo o país, levante secundarista que se nacionalizou a partir das escolas paulistas, primavera feminista e em mais uma série de lutas nos últimos anos. Como dissemos, tanto existe um espaço crescente para a esquerda que foi essa retomada de lutas que provocou para a burguesia, do ponto de vista político, o esgotamento da colaboração de classes.

 

A insatisfação e não reconhecimento do governo Temer ganhou as ruas e fez com que o #FORATEMER se tornasse uma das frases mais repetidas no país nos últimos meses, provocando ocupações de diversos prédios públicos, além de uma série de mobilizações multitudinárias.

 

Teremos, também no próximo mês, uma grande responsabilidade na luta contra Temer: resistir às Olimpíadas. Participaremos das mobilizações do dia 05 de Agosto e denunciamos a cidade da exclusão promovida pelos governos federal e municipal para a realização dos megaeventos. Com importantes setores da burguesia internacional no Rio de Janeiro, batalhar contra Temer pode ser decisivo -- mais ainda quando pode avançar a criminalização dos movimentos sociais sob a justificativa do “terrorismo”!

 

Acreditamos que segue sendo necessário impedir a estabilização desse governo ilegítimo. Derrotar Temer e o golpe institucional significa estancar a agenda de retrocessos e abrir um espaço à esquerda na correlação de forças no país e mesmo da América Latina, uma vez que o esgotamento do ciclo de colaboração de classes também atinge países como Argentina e Venezuela. A unidade de todos os setores de explorados e oprimidos pelo Fora Temer segue na ordem do dia!

 

Radicalizar a democracia! É preciso ir além do #ForaTemer

 

A disputa em curso é sobre a correlação de forças na sociedade e dessa luta não abriremos mão. Prevalecerá uma moralização da direita com a consolidação do golpe, ou o movimento de massas poderá polarizar a sociedade, de modo a impedir a retirada de direitos e deterioração de nossas condições de vida? Ainda, caso se confirme o impeachment, o movimento de massas sairá com força suficiente para derrotar os ataques do governo, ou terminará de cabeça baixa? Para nós, é preciso defender nossos direitos a todo custo contra a ofensiva burguesa e, para isso, as lutas do próximo mês são decisivas porque definirão em grande medida quanta força teremos os de baixo para enfrentar os de cima!

 

Em que pese a centralidade de políticas unitárias pelo Fora Temer, acreditamos que, para obtermos sucesso na disputa do movimento de massas e da consciência dos de baixo, é necessário oferecer uma saída para que a classe trabalhadora dispute os rumos do país e ofereça uma real solução para a crise política e econômica. Para nós do RUA, a esquerda anticapitalista precisa ser alternativa aos desastres de Dilma e de Temer, e oferecer uma saída independente é parte importante dessa construção.

 

Não defendemos, em qualquer hipótese, um Fora Temer que encampe um “volta Dilma”. Os governos petistas demonstraram nos últimos 13 anos que tem um lado que não é o nosso -- e seu retorno só poderia significar a continuidade das políticas que nos levaram até onde estamos, ou seja, mais políticas desastrosas para a classe trabalhadora.

 

Defendemos que o povo seja chamado a decidir sobre quem governa como forma de impedir a consolidação do golpe institucional. É preciso dar por encerrada a experiência petista da colaboração de classes. Defendemos que sejam convocadas, a partir de um plebiscito popular, novas eleições gerais, e com novas regras: é preciso acabar com o financiamento privado de campanhas, com o vale tudo das políticas de alianças, com a subrepresentação de mulheres, negros e LGBTs. Não tememos, com novas eleições, fortalecer um Congresso mais à direita. Acreditamos na disputa política e, além disso, a base de sustentação de Michel Temer já é suficiente para a aprovação de uma nova constituição.

 

Defendemos que uma saída política à esquerda e massiva é a única maneira de impedir que a luta pelo Fora Temer reflua para o “fato consumado” de que é ele que governa. É tarefa do conjunto da esquerda anticapitalista propor saídas concretas e capazes de derrotar Temer sem parar no meio do caminho com um retorno de Dilma e da colaboração de classes. A saída só pode ser pela esquerda!

 

Por isso, consideramos uma enorme vitória os eixos do ato convocado pela Frente Povo Sem Medo. O povo deve ser chamado a decidir, e faremos a polarização nas ruas contra a direita enquanto esta se mobiliza. O MBL de Kim Kataguiri já retrocedeu e disse que não vai dar peso no dia 31. Será um sinal de que não darão conta da polarização para a qual os desafiamos?

 

No dia 31 estaremos nas ruas e convidamos todos aqueles e aquelas dispostos a defender os direitos dos explorados e oprimidos, a impedir a consolidação de um golpe da burguesia e dos retrocessos, a lutar por uma saída à esquerda que supere o desastre da traição petista para a classe trabalhadora -- em resumo, convidamos a somar conosco nas ruas todos aqueles e aquelas dispostos a lutar sempre e temer jamais!

 

Fora Temer!

Pela radicalização da democracia: plebiscito sobre eleições gerais já!

Em defesa dos nossos direitos!

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