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Dia Internacional contra a Discriminação Racial: o Capitalismo e Racismo nos quer mortos

21.3.2016

*Setorial de Negras e Negros do RUA - Juventude Anticapitalista
 

 

Há 56 anos, no dia 21 de março de 1960, organizado pelo Congresso Pan Africano na cidade de Shaperville, 10 mil negros e negras lutavam contra a obrigatoriedade das crianças falarem a língua Afrikander nas escolas e contra a lei do passe que obrigava a negritude a portar um cartão de identificação que especificava os locais onde ela poderia circular. 


Sob liderança de Subukwe, os africanos negros deveriam deixar os passes em casa e comparecer às delegacias de polícia para se entregarem e serem presos. A ideia era provocar uma pane no sistema político e econômico. As prisões superlotadas e a falta de mão-de-obra causariam colapso no país.


Com escolta de tanques, jatos e monomotores, os policias abriram fogo covardemente contra a manifestação e com rajadas de metralhadora assassinaram, com tiros pelas costas, 69 negros e feriram 180 pessoas.


Para nós a luta é questão de sobrevivência!

Brasil, morros, favelas, becos e vielas, 127 anos após a falsa abolição vivemos no país que passou mais tempo com o escravismo formal do que sem ele, foram 388 na última nação da América que aboliu “oficialmente” a escravidão.

Para nós, negritude anticapitalista, o racismo e o capitalismo são faces da mesma moeda. O racismo formou-se como parte do processo através do qual o capitalismo tornou-se o sistema econômico e social dominante. O capitalismo se alimenta e se fortalece nas opressões e discriminações, nas hierarquias desqualificantes em que estrutura a sociedade para prevalecer o capital. Portanto, não há anticapitalismo sem a luta de combate ao racismo.

A população negra convive com situações históricas de miséria e violência, em uma terra que nunca nos ofereceu a verdadeira liberdade. Vivemos imersos a fenômenos sociais que estão intrinsecamente ligados ao racismo brasileiro, um racismo estrutural que se articula de forma bastante singular a dominação de classe em nossa sociedade.

O racismo também se expressa na desigualdade salarial onde as mulheres negras ganham 40% em comparação com um homem branco; além da violência cotidiana às mulheres negras, que são vítimas de mais de 60% dos assassinatos de mulheres no país e entre a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) brasileira, mais da metade, 51,1%, das vítimas de violações de direitos humanos de caráter homolesbobitransfóbico no país são autodeclaradas negras e pardas.

A situação para a população negra piora ainda mais em épocas de crise como a que vivenciamos hoje, sendo a maioria dos desempregados, os que são forçados a abandonar os estudos, os primeiros que têm os direitos básicos cortados. 

O setorial de Negras e Negros do Movimento RUA - Juventude Anticapitalista é um espaço de auto-organização de negras e negros. Lutamos para derrubar o racismo, o capital e toda forma de opressão. Por isso, estamos inseridas/os nas formulações e construções das nossas pautas nas cidades, periferias, escolas, universidades e demais setores populares que temos inserções

 

#JUVENTUDENEGRAQUERVIVER

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