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Estudo aponta: mais estudantes largam o curso do que terminam o ensino superior

Segundo o estudo, mais estudantes largam o curso do que terminam o ensino superior, evidenciando a falência de um projeto de educação

 

Dados recentes das Sinopses Estatísticas dos Censos da Educação Superior do MEC apontam queo total de estudantes que abandonam a graduação tem superado o número dos que concluem seus cursos. Em 2014 formaram-se 1 milhão de estudantes, enquanto 1,2 milhões trancaram a matrícula, incluindo nesse contingente estudantes de EAD, de instituições públicas e privadas.

 

Não é de hoje que diversos setores do movimento estudantil vêm apontando o descaso com a as universidades brasileiras. O projeto neoliberal de sociedade implementado nos últimos anos pôs à mesa de negociações também o projeto de educação, influenciando diretamente na permanência de milhares de estudantes na graduação. Assim, o projeto de educação aplicado pelos governos petistas, pautado nas recomendações do FMI (Fundo Monetário Internacional), veio no sentido contrário do que acumulavam por anos os movimentos sociais da educação, que apontavam e necessidade de uma prioridade para a educação pública, de qualidade e emancipatória.

 

Já no início da presidência de Dilma, que adotou o lema de Pátria Educadora, houve o corte de 10 bilhões de reais da educação, em prol dos lucros e privilégios dos grandes capitalistas, refletindo assim na precarização das instituições de ensino.  Mas o problema começou antes, e só se intensificará com os efeitos desses cortes. De 2011 a 2014 houve o avanço de 16% de matriculados no ensino superior, chegando a 7,8 milhões, enquanto os trancamentos subiram 60%. As instituições privadas possuem sozinhas 75% das matrículas na graduação, mas possuem uma percentagem de trancamento que chega aos altíssimos 86% dentre o total. No ensino superior público as federais são as mais atingidas com aumento de 84% no trancamento, enquanto os concluentes aumentaram apenas em 15% durante esse período.

 

Esses dados demonstram a falência de uma parte da política de conciliação de classes do governo PTista e seu consequente projeto para a educação. O aumento de estudantes no ensino superior foi por muito tempo utilizado como um triunfo dos governos passados, mas de longe não supre as demandas de milhares de brasileiros. A expansão do ensino superior, feita sem o investimento público necessário, precarizou as condições do ensino superior público, inflou o setor privado e manteve a educação enquanto um filtro de exclusão, especialmente dos mais pobres e dos oprimidos. Sem acesso a assistência estudantil, tendo que enfrentar a falta de professores, estruturas precárias, a necessidade de trabalhar de milhares de jovens, o próprio ensino anterior a universidade e a má formulação de diversos cursos, dentre tantas outras problemáticas, faz com que diversos jovens, principalmente dos setores mais marginalizados, sejam praticamente forçados a abandonar o sonho de se formar no ensino superior.

 

Diante dessa realidade, faz-se urgente organizar o movimento estudantil para que lute por prioridades de investimentos na educação pública imediatamente. É insustentável manter as condições atuais do ensino superior no Brasil, pelo menos para qualquer um que acredite em uma sociedade verdadeiramente democrática e igualitária. De nada vale a expansão do ensino superior se não for acompanhada de condições concretas para que os alunos permaneçam em suas faculdades e possam usufruir de tudo que elas possibilitam, porque dessa forma não se alteram as estruturas de exclusão social que a educação perpetua e os verdadeiros beneficiados são somente os tubarões de ensino e as pequenas elites que sempre tiveram acesso à educação. É o futuro de gerações que está em jogo.

 

Contra os cortes na educação! 10% do PIB para a educação PÚBLICA já!

#NaRUAPelaEducação

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/03/1747061-mais-alunos-trancam-curso-do-que-concluem-graduacao.shtml

 

 

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