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Agressão e violência em São Paulo: o 8 de março é das mulheres e para as mulheres

 

 

Infelizmente, saímos do 8 de março, data marcante no calendário das mulheres, com um sentimento de pesar. Os acontecimentos do dia de ontem, que são ruins para a organização das mulheres como um todo, tornaram insustentável a realização de uma mesma marcha entre projetos políticos que entraram em choque nas ruas.

 

Tradicionalmente, o ato em São Paulo é organizado de forma ampla, reunindo diversos setores políticos. Nesse ano, ocorreram quatro reuniões desde fevereiro. Nos encontros, estavam mais de 60 organizações, desde a oposição de esquerda ao governo, até organizações muito próximas dele. Apesar de nossas diferenças, enquanto mulheres e feministas, nós, mulheres do Rua- Juventude Anticapitalista, junto a outras organizações e movimentos de esquerda, acreditávamos que manter a unidade era fundamental.

 

Questões como a Reforma de Previdência, a legalização do aborto e o ajuste fiscal causam muitas controvérsias nos movimentos próximos ao governo federal. Mas, não por isso, abrimos mão dessas pautas, que tanto se relacionam e afetam diretamente a vida das mulheres. O tema, decidido por consenso, foi “Mulheres nas ruas por liberdade, autonomia e democracia para lutar: pela legalização do aborto, contra o ajuste fiscal, contra a reforma de previdência e pelo fim da violência contra a mulher”.

 

Após os acontecimentos de sexta feira, referentes ao ex-presidente Lula, as tensões se intensificaram. Na terça-feira, ainda na concentração do ato, diversas companheiras de organizações de esquerda foram sequencialmente silenciadas ao subir no carro de som e apresentar críticas ao governo. Mas o estopim foi o momento em que uma companheira do PSTU subiu no carro, e ao expressar a sua opinião enquanto oposição de esquerda foi vaiada, xingada e impedida de seguir falando. O microfone foi arrancado de sua mão e ainda ali em cima ela foi agredida. Enquanto isso, na rua, se formava uma massa de mulheres tentando protegê-la e uma massa de mulheres e homens tentando atingi-la. Nesse momento, diversas mulheres foram empurradas, xingadas e machucadas.

 

A partir dessa demonstração de intolerância, além da clara cooptação de um ato de mulheres para a defesa de um governo, que em nossa opinião, nada fez pelas mulheres, e que, pelo contrário, aplicou duros cortes e medidas que afetam diretamente a vida de milhões de mulheres, decidimos por não seguir no ato e criar um trajeto diferente, junto às companheiras de diversas outras organizações de esquerda.

 

Entendemos que a quebra do acordo travado ao longo de um processo democrático de construção do 8 de março foi inaceitável e, por essa razão, fizemos a nossa escolha.

 

O 8 de março é das mulheres e para as mulheres!

 

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