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AS QUE COMANDAM VÃO LUTAR: MULHERES ÀS RUAS POR MAIS DIREITOS!

 

O dia 8 de março é um dia histórico na luta das mulheres de todo o mundo. Esse dia, que muitas vezes é apenas lembrado e homenageado com flores e bombons, na verdade marca a luta e a resistência de milhares de mulheres por todo o mundo.

 

Vivemos nos últimos anos os efeitos cada vez mais fortes da crise econômica. Os efeitos dos diversos ataques a direitos históricos e cortes bilionários no orçamento de áreas como saúde e educação, que são sentidos especialmente pelos setores mais oprimidos explorados da sociedade. É seguro afirmar que as mulheres, principalmente as mulheres negras, são as mais afetadas nessa conjuntura.

 

Somos a maioria da população brasileira e os índices de violência e condições precárias de nossas vidas marca o caminhar de cada uma de nós. No último período, os coletivos feministas tem explodido das periferias às universidades públicas e privadas, organizando as mulheres pra um projeto feminista de sociedade que debata e formule política e campanhas no combate ao machismo e à violência e contribuam no empoderamento das mulheres.

 

Nas universidades, as mulheres que são maioria nas cadeiras das salas de aula, sofrem com a falta de políticas específicas de assistência estudantil e segurança. Os muros das universidades não são impermeáveis ao machismo estrutural ao sistema capitalista. Segundo dados recentes, cerca de 70% das mulheres universitárias já sofreram violência dentro das instituições de ensino. Os trotes machistas são corriqueiros dentro das Universidades onde as mulheres são colocadas como objetos a serem apreciados pelos homens, além de ter que submeterem a humilhações. Outro problema grave é a falta de políticas de permanência estudantil específica para as mulheres como creches, bolsas, moradias, atendimento de saúde, alimentação, segurança e iluminação.

 

Em outubro e novembro de 2015 as mulheres ocuparam as ruas, desabrocharam e massificaram a luta pelo #ForaCunha marcada pela Primavera Feminista. Em São Paulo foram cerca de 15 mil mulheres ecoando a palavra de ordem “Pílula fica, Cunha sai!”. Em novembro, 10 mil mulheres ocuparam as ruas da capital federal, Brasília, na Marcha das Mulheres Negras.

 

O Congresso brasileiro, em sua tendência retrógrada impulsionada por um grupo de parlamentares evangélicos, ruralistas e militares fez com que nós, mulheres, saíssemos às ruas e protagonizassemos a luta do #ForaCunha, expressão máximo do conservadorismo do Congresso Nacional atualmente. Muitos desses ataques vieram acompanhados de um nome: Eduardo Cunha, que na lista de maldades tem o ataque aos direitos da juventude negra pela PEC da redução da maioridade penal, o PL 7362 que cria o dia do orgulho hétero e a lei da heterofobia, e o desengavetamento do Projeto de Lei 5069, que causou uma forte reação contrária nas ruas porque prevê, entre outras coisas, dificultar o acesso ao aborto para as mulheres estupradas, circunstância em que hoje é legalizado no Brasil.

 

Dessa vez vamos às ruas novamente, mostrar a força da luta feminista, por nossas vidas, por nossas lutas.

 

Às vésperas do Dia das Mulheres marcados por diversas ações e lutas dos movimentos feministas no país, a CUT fez um chamado para construção dos atos com o chamado "Mulheres com Lula". Não podemos permitir que um dia protagonizado por nós, mulheres, que lutamos cotidianamente, seja gitado em defesa de um governo indefensável, em defesa de Lula. As mulheres são maioria da classe trabalhadora, o trabalho precarizado fica a cargo das negras e pobres e não poderia, com coerência, a Central única dos Trabalhadores agir de tal forma. O ajuste fiscal e a reforma da previdência impactam e irão impactar bruscamente na vida das mulheres brasileiras. Não iremos nós defender o indefensável, isso é impossível para nós!

 

As mulheres tem forjado uma nova maneira de luta nas ruas e tal cooptação não será possível com a luta que se aflora entre as secundaristas, negras, perifericas, mulheres de todo este país!

 

As mulheres ocupam as ruas e as redes. As campanhas com as hashtags #MeuAmigoSecreto e #MeuPrimeiroAssédio invadiram as redes sociais com denúncias de violência, assédio e do machismo sofrido por milhares de mulheres. A luta das estudantes secundaristas de São Paulo, contra a reorganização escolar de Alckmin (PSDB), também ocuparam as redes e as ruas, ficando conhecida como "Lute como uma menina!". Cada vez mais artistas do pop mundial, da quebrada, assumem o feminismo como luta importante das mulheres contra o machismo e o patriarcado, assim como blogueiras e ativistas feministas tem propagado e formado opiniões de toda uma geração de mulheres indignadas com as condições de vida que o machismo e o capitalismo nos impõe, na busca de maior empoderamento e organização feminista.

 

Nesse 8 de Março, Dia Internacional da Luta das Mulheres, é essencial que ocupemos as ruas por mais direitos, pelo #ForaCunha, contra os cortes que nos atingem tão fortemente, pela legalização do aborto e pelo fim da violência contra a mulher. Nós mulheres temos que ser protagonistas das nossas lutas!

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