Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons by-sa 3.0. Rua_Juventude Anticapitalista, exceto quando proveniente de outras fontes ou onde especificado o contrário. 

Na RUA contra o genocídio dos povos indígenas!

4.11.2015

 

               

 

 

                  O assassinato de Simião Vilhalva, Guarani-Kaiowá, com um tiro na cabeça no final de Agosto no Mato Sul, numa ação dos ruralistas planejada em uma reunião de fazendeiros com a participação de parlamentares federais, é um símbolo da dimensão dos conflitos por terra em nosso país, e dos vários setores envolvidos da nossa sociedade. Simião Vilhalva e todos os outros e outras assassinadas estão presentes na luta que continua!

 

Brasil: um latifúndio do planeta

 

               As disputas em torno das riquezas naturais (terra, agua, minérios,...) se mostraram de diversas formas ao longo do tempo e sua raiz está no processo de transformação dessas riquezas em mercadoria na nossa sociedade. Sobre a lógica da produção desenfreada e do consumo frenético, pilhamos e destruímos grande parte das riquezas naturais do Planeta, pouco ainda restando. E é sobre esse “pouco” que grande parte dos conflitos estão acontecendo.

                  Fazendeiros, capangas, multinacionais (da mineração e agronegócio) e seus representantes políticos e militares, alinhados nos "campos de batalha", estão preocupados em explorar esse pouco que resta, defendendo um modelo de desenvolvimento que já conhecemos há centenas de anos. Modelo esse que polui rios, solo e ar, concentra renda, desmata e exporta nossas riquezas, além de violentar as comunidades e assassinar lideranças que atravessam seus caminhos.

 

Todas e todos temos sangue indígena.

Uns nas veias, outros nas mãos!

 

                   As violências contra os povos indígenas em nosso país são gritantes. A dor, as ameaças, as invasões, as torturas, as agressões cotidianas expressam as condições que os povos indígenas continuam sendo submetidos. Só em 2014 foram registrados 138 assassinatos no Brasil, sendo muitos destes praticados em função de conflitos fundiários, com o intuito de coibir as lutas e amedrontar os líderes indígenas. A situação de Mato Grosso do Sul é emblemática, em 2010, por exemplo, a taxa de homicídios na aldeia Guarani-kaiowá do município de Dourados (145 assassinatos a cada 100 mil pessoas), é maior do que a registrada no Iraque (93 a cada 100 mil pessoas).

                  A morosidade e omissão do Estado brasileiro são igualmente cruéis. Em 2014 foram 135 suicidios, principalmente de jovens. A desassitência a saúde contribui com o aumento da mortalidade infantil, onde foram 785 mortes de crianças de 0 a 5 anos. E das quase 600 terras já reivindicadas pelo povos, em 2014 duas foram identificadas, uma declarada e nenhuma homologado. Contribuindo assim para o acirramento dos conflitos.

 

Contra a PEC 215!

Contra a Agenda Brasil!

Não vai ter luto, vai ter luta!

 

            A agenda conservadora avança. No dia 28/10, numa Comissão Especial aprovou-se a PEC 215 atacando os direitos indígenas e quilombolas, transferindo do poder executivo para eles, o legislativo, a demarcação desses territórios, mesma casa que com a PL 5069 pretende retirar direito das mulheres, com a PEC 171 aprovou a redução da maioridade penal e com a PL 4330 ampliar a terceirização.

                  E não param por ai, a tal Agenda Brasil iniciativa emblemática que reúne os interesses dos vários setores da elite brasileira, apoiado por Renan Calheiros, Dilma e Levy, propõe em um único documento o aprofundamento do ajuste fiscal já implementado pelo governo, facilitar o desmatamento a partir da liberação indiscriminada de licenças ambientais, ampliar a idade mínima para a aposentadoria, abrir a possibilidade de cobrança no SUS, além de também por em risco a demarcação dos territórios indígenas e a autodeterminação dos povos, quando propõe a “revisão dos marcos jurídicos que regulam áreas indígenas”, com objetivo de “compatibilizá-las com as atividades produtivas’’.

           Nesse momento de crise, as posições e interesses das classes são mais perceptíveis. Onde os “de cima”, os que geraram a crise que são 1% da sociedade, querem colocar nas costas dos 99%, os “de baixo”, o pagamento dela.  

Nós do RUA defendemos uma saída para a crise que deve compreender a dimensão da crise ambiental que vivemos e atender aos interesses dos povos e da classe trabalhadora, e não do lucro.

                Por isso nos colocamos ao lado dos mesmos na luta contra a retirada de seus direitos, pela demarcação das suas terras e na RUA contra o GENOCÍDIO dos povos indígenas!

 

Please reload

Please reload