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Trocando Ideia - sobre Conjuntura e Cultura Política na FURG

21.10.2015

   

 

 

  Estamos vivenciando os efeitos de uma grave crise econômica internacional que no Brasil é acompanhada de uma grande crise política. No Brasil, vemos o esgotamento de uma modelo de “desenvolvimento” que tentou aliar uma limitada redistribuição de renda e facilitação de crédito para a população mais pobre, com as políticas de pagamento da dívida pública e estímulo às empreiteiras e agoronegócio o que ampliou o lucro dos mais ricos. Tais medidas, porém, não romperam com a dependência e subordinação ao capital financeiro promovendo as mudanças estruturais necessárias, pelo contrário. Com a inevitável chegada da crise internacional, a opção do governo pela aliança com os “de cima” fica mais nítida do que nunca, cobrando a conta dos “de baixo” – os bancos, por exemplo, continuam ampliando seus lucros.

 

    A rejeição ao petismo que faz cair drasticamente os índices de aprovação do governo se materializa, de um lado, pelo aumento do número de greves e mobilizações, que teve como maior expressão as jornadas de junho de 2013 e que continua com novo fôlego depois do estelionato eleitoral em 2014 e como resposta às políticas de ajuste fiscal implementadas por Dilma já no primeiro semestre de 2015. Mas por outro lado, visualiza-se também pelo aumento do conservadorismo que tenta reapresentar a direita tradicional como alternativa à crise política, com caricaturas do conservadorismo mais perverso, como os tucanos, Eduardo Cunha (PMDB), Bolsonaro (PP), entre outros.

Em tempos de longa crise e tensões sociais, de acirramento da luta de classes e das mobilizações de importantes setores da classe e dos oprimidos por direitos, o  grande  desafio  deste  período  será  a  construção  de  uma  ampla  oposição  de esquerda  ao governo e ao sistema capitalista  –  combinando movimentos, partidos e setores sociais – com capacidade de disputar as ruas e a consciência da maioria da população do país em defesa de uma saída política alternativa e anticapitalista e projeto de poder para a crise e para o país.

 

    Na contramão dessas necessidades, aqui na FURG temos um DCE apático, que desmobiliza, não debate com o conjunto dos estudantes, se mostra vertical e insensível as problemáticas que atingem diretamente a nossa vida, sobretudo dos que mais sofrem para ingressar e se manter na Universidade publica, reproduzindo a velha política de gabinete e acordos a portas fechadas que contribui para o afastamento da maioria das/dos estudantes do processo político. Tudo isso apesar do notável avanço no processo de precarização do ensino público e gratuito, com um corte de mais de 10 bilhõs de reais na verbas destinadas às universidades federais; dos cursos de pós-graduação e mestrado em Universidade públicas recebendo amparo legal para cobrarem mensalidade, demonstrando uma nítida tendência a privatização do ensino publico e gratuito; e dos projetos de extensão não dialogam com a realidade das comunidades de entorno da Universidade, não incluem e não beneficiam as/os mais pobres que vivem e trabalham próximo e dentro da Universidade.

 

    É necessário apresentar um novo projeto de política e de movimento estudantil, que mobilize, dialogue com as/os acadêmicos, com as/os trabalhadores que demonstre a importância de todas/os na participação do processo político e na construção de uma nova sociedade. Para isso, é necessário romper com as antigas formas de entender a política e o movimento estudantil, apresentar um projeto que seja combativo de fato, que dispute consciências e não apenas votos é nosso dever.

 

    É nesse sentido que pensamos o espaço "Trocando Ideia" pra aprofundar o debate de conjuntura e cultura política, que contará com a presença da companheira Luiza Aquino, militante do RUA Rio de Janeiro e diretora do DCE Mário Prata, da UFRJ. Será nesta quinta, dia 22, no prédio do Movimento Estudantil da FURG. 

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