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RUA Goiás realiza seu 1º acampamento

21.10.2015

 

 

Com objetivo de ser um espaço de formação e recepção da nova militância que tem se aproximado do RUA - Juventude Anticapitalista, nos últimos meses, aconteceu nos dias 09 a 12 de Outubro de 2015, em Teresópolis/GO, o 1º Acampamento de Formação do RUA Goiás, que além de militantes do estado, contou com a participação de militantes do Distrito Federal, Mato Grosso e com Larissa Rahmeier, diretora da UNE pela Oposição de Esquerda.

 

O 1º Acampamento, procurou organizar a formação, em um profundo dialogo entre todas as participantes, com rodas de conversa, oficinas e mesas que percorreram os temas conjuntura, antiproibicionismo e extermínio da juventude negra, situação das mulheres encarceradas, (des)militarização da politica e da policia e seletividade punitiva, o direito ao aborto, gêneros e sexualidades, meio ambiente, campo e cidade, movimento estudantil, luta anti-capitalista. Além dos espaços de formação propriamente dita, apostamos em momentos lúdicos que pudessem integrar o grupo, a partir de nosso modo de ser e vivenciar a experiência juvenil, como saraus, festas e Cine-RUA.

 

Em um clima de construção coletiva e cooperação, buscamos organizar cada espaço, mesa, roda, festa, oficina e toda a estrutura do espaço onde nos reunimos. Uma atenção que buscamos desde a divulgação do Acampamento foi o de construir um espaço plural, diverso, coletivo, com respeito a todas, o que o grupo avaliou ao final, que conseguimos alcançar. Segundo Vick, militante do RUA no Mato Grosso: “os espaços foram muito proveitosos, e tiveram muita leveza, as participantes tiveram bastante liberdade para falar sobre si e suas vivências. E isso fez dos espaços auto construídos, espaços sem medo de ser feliz e com muito a caminhar!”. Para a militante Lincoln do Rua Goiás, construímos um “acampamento antiproibicionista, cheio de mana politizada e feminista, abolicionista, destruindo esse estado racista” e “sem machista, mostrando que juntos na RUA a revolução é anticapitalista”, Larissa aponta que espaços foram muito proveitosos, dinâmicos e com aprofundamentos dos debates. Acho que o espaço que mais me marcou foi o de aborto, onde todas e todos através de uma mística conseguiram expor várias coisas, impressões, relatos, será um momento que ficará marcado pro resto da minha vida.

 

Outro destaque apontado pelo grupo foi como o Acampamento ajudou a conhecer mais o Rua e como as festas, material de divulgação e os temas propostos estão em profundo diálogo com a realidade das juventudes. É importante destacar que a participação de militantes de outros estados, contribuiu para o intercâmbio entre as experiências, vivencias e aprendizados, para Marcos militante do RUA MT: “se levarmos em conta a conjuntura regional (Centro Oeste) que de diversas formas se entrelaça e reafirma a necessidade de uma articulação dos Estados que compõem esta regional (MT, MS, GO, DF). Uma vez que o dado momento histórico é marcado pela retirada de direitos que atinge principalmente a classe trabalhadora e a juventude. Uma outra questão quer perpassa toda a regional, diz respeito ao agro-negócio. Atividade capitalista que tem trazido uma série de impactos ambientais, ecológicos, na saúde da população negra e pobre, bem como nos processos de desapropriação da terra dos assentados e campesinos”.


O Acampamento foi realizado em um momento importante do Rua Goiás, de crescimento da militância, de atuação na organização do Encontro Nacional em Universidades sobre Diversidade Sexual e de Gênero - ENUDSG, composição do DCE-UFG e da ocupação de duas cadeiras na UEE-GO, e foi importante  para a  consolidação e fortalecimento do movimento no estado.

 

 

 

 

Veja alguns dos debates que rolaram durante o Acampamento!

 

Buscando conversar desde nós sobre as sexualidades, as diversidades sexuais, os gêneros, as performances, papéis sociais de gênero, identidades e etc, este momento da formação, de forma descontraída se propôs a pensar como definimos nossas afetividades e sexualidades, fora dos conceitos que estão postos. Alguns participantes definiram suas afetividade e sexualidades  como: “amor livre”, “sem culpa católica”, “bitch” e papeis que  foram deixados  em branco pra representar que nem tudo pode e consegue ser escrito.

 

Além deste momento buscamos identificar e conceituar 17 identidades de gênero ou/e orientações sexuais, buscando compreender como estas identidades colaboram ou prejudicam a nossa luta por direitos e a nossa vivência individual da sexualidade e do gênero. Ouvimos/lemos o depoimento de um jovem trans não binária, que apontava os limites dos conceitos “transgênero”, “não-binário”, “pansexual” para definí-lo como ser, mas necessários para a luta politica, a visibilidade  e a garantia dos direitos.


 

Os/as participantes foram ainda provocados a ler, debater e performatizar trés textos que pensam formas não sexistas e criticas para olhar o cu, a vagina e o pênis, na construção da sexualidade, mas precisamente uma serie de poesias intituladas “Manifesto do Cu”, o texto que acompanha uma imagem aproximada de uma vagina, denominado: “Pussy Power” escrito por de De Barros de Neves e o clássico de bell hooks, feminista negra norte-americana “Penis Passion”.

 

Este momento foi facilitado pelo militante do RUA e ativista LGBT, João Pucinelli.

 

 

Campo, meio ambiente e direito à cidade

 

Nesse espaço debatemos a relação/concepção da sociedade capitalista com a natureza, que e uma relação de exploração e apropriação, e que tornam o ser humano alienado da natureza; Sendo assim o modo de produção capitalista esta diretamente ligado aos questões ambientais, mas propiamente dito, as catástrofes ambientais, seja elas urbanas ou rurais;  Concepção de injustiças ambientais, na qual os mais pobres e desprivilegiados (negres,mulheres, indígenas, lgbts, quilombolas, etc) sofrem com maior intensidades as consequências dos desastres ambientais em prol do desenvolvimento capitalista.

 

Falamos também  das mudanças climáticas, da base de energia da sociedade somente no petróleo do agronegócio, latifúndios, monocultura e desmatamento e crise hídrica. Intercalando o campo e meio ambiente com o direito a cidade foi discutido qual é a classe trabalhadora que temos hoje, quem luta pelo direito a cidade, e quais os desafios que essa classe tem ao ir trabalhar todos os dias, discutimos o quanto essa classe é plural e diversa  e e que nela esta os negros, mulheres e lgbts em sua maioria .

 

Mesa mediada por Luiz Felipe e Lucimara, militantes do RUA GO e MT, respectivamente.

 

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