Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons by-sa 3.0. Rua_Juventude Anticapitalista, exceto quando proveniente de outras fontes ou onde especificado o contrário. 

25 de Julho - Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha Porque nossa Luta é todo dia, na RUA e tem Gênero e Cor!

25.7.2015

 

 

“Salve! Negras dos sertões negras da Bahia

Salve! Clementina, Leci, Jovelina

Salve! Nortistas caribenhas clandestinas

Salve! Negras da América latina”

(Ellen Oléria - Antiga Poesia)

 

 

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, é mais do que uma data comemorativa, é um marco internacional da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. Foi instituído, em 1992, no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, para dar visibilidade e reconhecimento a presença e a luta das mulheres negras nesse continente.

 

 

 

Este não é apenas um dia de celebração. Mas de chamado às Lutas e às RUAs!

 

 

Vinte e três anos depois do encontro de luta, a resitência por direitos ainda é nossa principal bandeira. As desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras latinas em relação a inserção profissional, educacional, situações de violência são parte da vivência concreta de uma sociedade racista, machista e sexista, estruturantes para manutenção do sistema capitalista, que nos oprime e mata todos os dias.

 

 

Para vencermos essas violências, a única alternativa é nos colocar em luta diariamente, seja nas relações familiares, profissionais, acadêmicas e sociais, que permite afirmar serem dimensões que estimulam a atual estrutura desigual, ora simbólica, ora explícita.

 

 

No Brasil, as mulheres negras são 25% da população e o que poderia ser considerado como história ou resquícios do período colonial, permanece vivo no imaginário social e adquire novos contornos e funções em uma ordem social supostamente democrática, que mantém intactas as relações machistas, racistas e de gênero. As mulheres negras latinas tiveram uma experiência histórica diferenciada que o discurso sobre a opressão da mulher costuma apresentar, este não tem dado conta de promover o debate que a diferença qualitativa do efeito da opressão sofrida teve e ainda tem na identidade feminina.

 

 

Em geral, a unidade na luta das mulheres latinas em nossa sociedade não depende apenas da nossa capacidade de superar as desigualdades geradas pela histórica hegemonia do machismo, mas exige, também, a superação do racismo, entendendo que as opressões são estruturantes ao sistema capitalista.

 

Nessa perspectiva, a luta contra a opressão de gênero e de raça vem desenhando novos contornos para a ação política feminista e anti-racista, enriquecendo tanto a discussão da questão racial, como a questão de gênero na sociedade brasileira.

 

 

“Cansei de ver a minha gente nas estatísticas,

Das mães solteiras, detentas, diaristas.

O aço das novas correntes não aprisiona minha mente...”

(Yzalú - Mulheres Negras)

 

 

No Brasil a retirada de direitos e medidas de austeridade que culmina na precarização do trabalho, da educação e da saúde pública, nos afeta diretamente. As mulheres negras latinas dos países periféricos são as mais atingidas pelas opressões (sejam de cor, identidade de gênero, orientação sexual ou qualquer outro tipo de opressão) e pelas desigualdades sociais. Somos NÓS que sofremos com o trabalho terceirizado, somos NÓS que choraremos a morte e o encarceramento das crianças e jovens negras, somos NÓS as mulas do tráfico, somos NÓS as mortas por aborto clandestino, NÓS as despejadas de nossas casas, tetos e terras. Mas são tempos em que, através de nossas mãos, vamos construir uma realidade diferente, apostando na capacidade de nossa luta, unidas, sem recuos, sem negociações, nas RUAs e por NÓS!

 

 

Não nos basta um feminismo que desconsidere nossas questões específicas. As mulheres negras latinas são as que mais ocupam empregos precarizados e sub empregos, tendo rendimentos que chegam apenas a 30% do salário de um homem branco. Estão mais fora dos serviços específicos de saúde pública, mesmo apontando o maior número em mortalidade materna e por abortos mal sucedidos. Somos as principais vítimas de estupros e feminicidios e a grande mídia não nos representa com seus padrões de beleza que esmagam nossa auto-estima.

 

 

A realidade é que ainda somos as que possuem o menor nível de escolaridade e ocupamos os postos de trabalho mais precarizados, está também projetada para nós condições de informalidade e discriminação racial que a impedem de gozar da beleza de seu gênero seja em aspectos sociais, econômicos, educacionais ou até mesmo emocionais.

 

 

O badalado avanço educacional e a prosperidade financeira anunciada pela mídia e pelos Governos nos últimos anos não revela a dura realidade das mulheres que residem na América latina e no Caribe, regiões cada vez mais desgastadas por uma política ainda colonialista imposta pelas grandes potências econômicas mundiais. É por conta dessa lógica que muitas dessas mulheres ao ingressarem no ensino superior são imediatamente direcionadas para uma formação que não lhe permitirá uma emancipação financeira real, e ainda são essas mulheres que continuam residindo longe dos centros comerciais, no entorno das cidades e que são vítimas do agronegócio, da exploração mercadológica e do sucateamento das políticas educacionais e sociais.

 

 

“Eu não espero e vou a luta

De tudo o que quero...”

(Tarja-Preta - Falsa Abolição)

 

 

Estamos na RUA contra o capitalismo mas não nos bastará um anticapitalismo que não seja capaz de entender que a classe explorada tem cor e tem gênero e que o que divide a classe é a opressão.  

 

 

Nós, Mulheres Negras e Latinas do RUA - Juventude Anticapitalista destacamos a necessidade de nos afirmarmos enquanto mulheres, negras e latinas sim, todos os dias, para que nenhuma de nós continue a morrer ou a ser agredida; para que nenhuma de nós veja seus filhos ou companheiros desaparecerem ou serem assassinados por uma sociedade adoecida e imersa numa luta contra os pobres; para que nós possamos gozar do nosso Ser Mulher, Ser Negra, Ser Latina em sua totalidade com o orgulho e com  o respeito ao nosso gênero e a nossa raça. Fortalecer o 25 de julho é fortalecer cada uma de nós, é dar energia a luta por nossa emancipação!

 

 

Um salve à todas nós que lutamos todos os dias e que intensificamos continuamente na expressão do nosso gênero e da nossa cor, a beleza e a graça de ser e estar onde quiser!

 

 

“Aqui tem mulher firme arrebentando as suas correntes

Salve! Permanecemos vivas”

(Ellen Oléria - Antiga Poesia)

Please reload

Please reload