Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons by-sa 3.0. Rua_Juventude Anticapitalista, exceto quando proveniente de outras fontes ou onde especificado o contrário. 

Trabalhadores/as e estudantes em greve ocupam Brasília na Caravana da Educação!

13.7.2015

 

 

Nesta segunda-feira, dia 06 de julho, em Brasília, aconteceu a Reunião da Educação Federal convocada por diversas entidades como ANDES-SN, FASUBRA, SINASEFE, FENET, Oposição de Esquerda da UNE e ANEL. No encontro que reuniu mais de 600 pessoas entre estudantes e trabalhadores/as da educação em greve de todo o país, momento em que foi debatido a conjuntura do Brasil e do mundo em meio a crise econômica e seus efeitos com a aplicação do ajuste fiscal do Governo Dilma, que corta verbas da educação, da saúde e da previdência, mas mantém os lucros dos grandes patrões.

 

 

Foi apontada a necessidade da unidade dos trabalhadores/as da educação e estudantes na luta contra os cortes da educação e a intensificação das greves nas Universidades e Institutos Federais, onde os cortes já chegam na casa de 9 bilhões de reais. No final, foi encaminhado um Manifesto da Educação Federal, que foi protocolado no MEC no dia seguinte, durante a Marcha. 

 

Na terça-feira (07 de julho), foi construía uma grande Marcha da Educação Federal com trabalhadores/a da educação e estudantes que ocuparam as ruas de Brasília contra os cortes da educação e o ajuste fiscal da presidente Dilma e do atual Ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

 

O ato seguiu até o Ministério da Educação, onde representantes do ANDES-SN, FASUBRA e comandos de greve dos/as estudantes subiram para protocolar o Manifesto da Reunião da Educação Federal e marcar uma reunião com o Ministro da Educação, Renato Janine. No entanto, assim como a cara do novo ministro da educação nunca foi vista, também não fomos recebidos no MEC. Logo após, o ato seguiu para o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, local onde estava agendada uma reunião de negociação com os Servidores Públicos Federais.

 

Durante a tarde da terça-feira, os/as estudantes realizaram uma Plenária do Movimento Estudantil unificado, onde foram articuladas ações para o dia 11 de agosto (Dia do/a Estudante) e um ato contra a Redução da Maioridade Penal, pauta que vem sendo prioritária nos debates da Juventude.

 

No dia 30 de junho tivemos uma importante vitória com a unidade das juventudes em barrar a redução da maioridade penal, ainda que no dia seguinte o presidente do Congresso, Eduardo Cunha, tenha realizado uma manobra e um golpe pra aprovação da PEC 171 de forma inconstitucional. Mas não podemos nos iludir. Cunha, Levy, fazem parte e compõe este governo de coalizão da Dilma que hoje paga pelas escolhas que fez para garantir sua governabilidade. Os cortes e os retrocessos aplicados por Levy e Cunha fazem parte de uma política escolhida pelo Governo Dilma.

 

Após a plenária, estudantes seguiram em marcha ao Congresso Nacional, onde foram entoados gritos de ordem contra a Redução da Maioridade Penal e o golpe arquitetado por Cunha. O espelho d’água foi colorido com tinta vermelha, simbolizando o genocídio da juventude negra frente ao descaso do Estado em tratar a injustiça social, fator que verdadeiramente gere e agrava os índices de criminalidade do país.

 

 

 

 

Desde o mês de maio as categorias dos/as docentes e ténicos-administrativos vem deflagrando greve em diversas universidades federais. As pautas são de valorização do profissional da educação, reposição salarial que está abaixo da inflação, plano de carreira, mas, sobretudo, contra os cortes da educação que estão inviabilizando as atividades básicas de ensino, extensão e pesquisa e o funcionamento das instituições de ensino.

 

Os cortes anunciados pela Presiência no montante de 9,4 bilhões (mesmo valor que foi investido no REUNI de 2007 a 2012), também afeta os/as estudantes que tiveram as políticas de permanência estudantil afetadas com atrasos e cortes, à exemplo das bolsas de assistência estudantil, falta de comida nos Restaurantes Universitários, terceirizados/as com salários atrasados, além dos cortes no PIBID, PIBIC e CAPES.

 

Na categoria da base da FASUBRA, já são mais de 65 Federais em greve, totalizando mais de 95% das IFES, e mais de 30 federais em greve na base do ANDES-SN. Os/as estudantes seguem em greve em 8 federais: UFMS, UFGD, UFG, UFPB, UFBA, UFRJ, UFF e Unirio, além das estaduais baianas. Destaque para a greve estudantil da UFRJ que iniciou sua mobilização desde o início do ano em solidariedade aos terceirizados/as, onde o DCE fez diversos atos e campanhas de recolhimento de alimentos.

 

A UFRJ, UFPB e a UFF realizaram ocupações de reitoria muito importantes. Em uma assembleia com mais de 1000 estudantes, a UFRJ deflagrou greve estudantil, o que possibilitou pressionar e fazer com que os docentes da UFRJ também deflagrassem greve na maior federal do país, que tem seu orçamento para pleno funcionamento apenas até meados de setembro. Mesmo assim, em meio a essa conjuntura conturbada, a UFRJ elegeu uma reitoria de esquerda e democrático, elegendo o Professor Roberto Leher, ex-presidente do ANDES-SN. Está muito evidente pra todos/as nós: as Universidades vão parar com a greve ou com a falta de recursos!

A crise econômica e do capitalismo que assola o mundo inteiro com a crise do boom imobiliário de 2008, impõe aos/as trabalhadores/as e a juventude medidas de austeridade, altas taxas de desemprego, sucateamento e precarização no serviço público e cortes nas áreas sociais, enquanto isso os bancos continuam com recordes de lucros.

 

Neste domingo (05/07), o povo grego deu um gesto de esperança dizendo não (OXI) às medidas de austeridade da Troika, à dívida grega com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Européia (UE,) no referendo submetido a população sobre o pagamento ou não da dívida. No Brasil, no entanto, o Governo Dilma fez sua opção política frente a crise com a aplicação do ajuste fiscal, arrocho salarial, a aprovação das MPs 664 e 665, a PL 4330, ataques a previdência social, precarização do serviço público e o anúncio de mais de 46 bilhões de reais nas principais áreas sociais. Enquanto isso, os bancos do nosso país lucraram 22% a mais que no ano passado e continua-se destinando quase 50% do PIB para o pagamento dos juros e amortização da dívida pública.

 

Precisamos seguir o exemplo das lutas do Paraná, intensificar as nossas mobilizações e a nossa luta nas ruas. Fortalecer a construção da greve contra os cortes da “Pátria Educadora”, que não passa de um slogan eleitoral, o ajuste fiscal, que a cada dia amanhece com um novo ataque a educação e à classe trabalhadora, e a Redução da Maioridade Penal, que quer encarcerar a juventude da periferia. A saída é pela esquerda.

 

 

 

Please reload

Please reload