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NOTA DO MOVIMENTO RUA SOBRE OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS NA UERJ

31.5.2015

 

No começo da noite da última quinta-feira, dia 28 de maio, centenas de estudantes da UERJ se preparavam para participar de uma assembleia geral estudantil, na qual debateríamos os próximos passos da mobilização discente diante do acirrado cenário de precarização da instituição. No entanto, nos foi informado que moradores da favela Metrô-Mangueira estavam sendo brutalmente removidos de suas casas. Imediatamente cerca de 100 estudantes se encaminharam, em solidariedade, para o local, onde se depararam com um cenário de verdadeiro caos: gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e spray de pimenta tirando crianças e idosos desmaiados de seus quartos.

Trabalhadoras e trabalhadores, após mais uma longa jornada de trabalho, encontravam destroços no lugar de suas casas. A intervenção de estudantes junto às e aos moradores, fechando uma das principais vias do Estado, foi respondida com imediata repressão por parte da Polícia Militar e da Guarda Municipal, que agrediu e perseguiu todos até a entrada da universidade pioneira em sistema de cotas no Brasil, como legítimos herdeiros dos capitães do mato. O saldo desse brutal cenário de repressão, cotidianizado na política de segurança pública de Pezão, foram ferimentos em diversos graus causados em estudantes, incluindo três do movimento RUA. Nesse momento, estudantes e moradores da Mangueira cruzaram a universidade em direção à via oposta, a fim de reestruturar o bloco de manifestantes e construir um novo ato. No entanto, fomos recebidos com tiros para o alto de armas de fogo.

O recrudescimento da repressão militar encurralou a todos, novamente, dentro da UERJ, e então se iniciou um ataque da segurança interna do campus. Jatos d’agua foram direcionados àqueles e àquelas que buscavam refúgio dentro do campus; todas as entradas estavam bloqueadas e cercadas, inclusive pelo Batalhão de Choque em formação. Reiterando a herança escravocrata, os seguranças de uma das universidades mais populares do país arrastaram um estudante negro para dentro do prédio principal, onde ele foi torturado e mantido refém a mando da autoritária reitoria. Em nota oficial sobre os acontecimentos, Vieiralves expõe todo seu racismo institucionalizado, com o cinismo de uma bizarra apropriação de frase de Martin Luther King.

O acirramento das crises demonstra uma posição de vulnerabilidade social (construída e mantida pelo capitalismo) que detém um recorte bem especifico: seja na não garantia de direitos na permanência estudantil para os mais de 40% cotistas, no impasse quanto aos trabalhadores terceirizados e nas remoções para atender à especulação imobiliária. Essas políticas (ou a ausência delas) atingem implacavelmente pessoas negras, sobre as quais se reforça a lógica autoritária na UERJ. Nós, militantes do coletivo RUA e estudantes da UERJ defendemos a reorganização do movimento estudantil, compreendendo que esse sombrio episódio reflete a necessidade de um M.E para além dos muros da universidade.

As contradições sociais devem ser superadas em sua totalidade, com organização coletiva, muita luta autônoma e unidade. A universidade pública pertence a toda população, e a produção do conhecimento científico e das movimentações políticas a ela deve servir: seja na superação dos problemas e da desigualdade social, seja na construção da resistência popular cotidiana.

 

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