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A Luta das Mulheres Muda o Mundo e Vai Radicalizar a UNE!

28.4.2015

 

Nós vivemos hoje, no Brasil, um momento de muitos ataques e cortes de direitos. Sabemos que as mulheres vem sendo alvo de um profundo descaso. Vemos isso nitidamente nas políticas defendidas pela bancada conservadora no Congresso Nacional, que se recusa a debater uma possível legalização do aborto e, ao mesmo tempo, aprova medidas como a PL 4330, que regulamenta a terceirização e dá espaço para a sua ampliação. Nós sabemos que grande parte dos/as trabalhadores/as terceirizados/as são mulheres, em sua maioria negras, que já tem seu trabalho precarizado e que, agora, terão ainda mais dificuldade na luta pela efetivação e por seus direitos trabalhistas. O debate sobre a legalização do aborto permanece congelado, sem que os fundamentalistas do Congresso abram mão de uma política que mata uma mulher a cada dois dias no Brasil.

 

 

Isso demonstra que não há o menor interesse na defesa dos direitos das mulheres por parte do Governo Federal. As alianças feitas pelo PT ao longo de seus 12 anos de governo se distanciaram cada vez mais dos setores oprimidos e explorados, construindo políticas lado a lado com o PMDB, por exemplo, que hoje protagoniza todos esses ataques que retiram cada vez mais nossos direitos. Ao mesmo tempo, esse mesmo governo não destina verbas para políticas de combate à violência contra a mulher - cálculos indicam que esse investimento é de míseros R$ 0,26 por mulher no país.

 

 

Está cada vez mais explícito o lado escolhido pelo PT durante o seu governo. Não tendo defendido publicamente em nenhum momento a legalização do aborto, passando as medidas provisórias 664 e 665 que são um verdadeiro ataque aos benefícios previdenciários conquistados pelos trabalhadores/as do Brasil, fazendo aliança com setores abertamente conservadores em nome de uma suposta “governabilidade” que se mostra cada vez mais falha e uma série de outros ataques a nível federal que o partido vêm protagonizando, provam que esse não foi o lado das mulheres e de nenhum outro setor oprimido e explorado.

 

 

Que contradição: a pátria educadora cortou da educação!

 

 

Na educação, esse cenário não é diferente. A tal da “pátria educadora” é a mesma que cortou R$ 7 bilhões da educação pública, precarizando ainda mais universidades que já lutam por mais investimento há anos. Em tempos de crise, o lado escolhido pelos governos se explicita: grande parte dos cortes acaba recaindo nas políticas de assistência estudantil, que deixam de receber investimento ou permanecem precarizadas. É importante ressaltar que os setores mais prejudicados com essas políticas são os mesmos que mais têm dificuldade de se manter na universidade: as mulheres, mães especialmente, a juventude trabalhadora, as/os negras/os e LGBTs. Dentre esses grupos, é importante pensar nas mães que não possuem creches universitárias para deixar seus filhos durante o período letivo ou que necessitam de moradia estudantil sem, contudo, haver vagas disponíveis com uma estrutura adequada para criar uma criança. Elas são, portanto, pressionadas a escolherem se querem ser mãe ou estudar, sendo que optar por ambos deveria ser um direito.

 

 

A violência nos campi universitários é outro grande impedimento para a permanência de uma série de mulheres na Universidade. Vítimas de violência se encontram obrigadas a conviverem com seus agressores, o que é apenas mais uma forma de violência. Elas também acabam abandonando seus cursos, como forma de preservar sua integridade física e emocional, justamente porque não há nenhuma preocupação por parte das reitorias em garantir a permanência dessas mulheres na Universidade. E nós ainda somos constantemente vítimas do assédio por parte de professores e orientadores, o que nos desestimula a nos dedicarmos à pesquisa acadêmica. Temos como resultado, um ambiente profundamente machista, que não oferece um currículo com recortes de gênero, raça e sexualidade.

 

 

Nesse contexto, a auto-organização aparece como a única saída possível no combate ao machismo nas Universidades. O Movimento Estudantil muitas vezes recai em práticas que colocam em segundo plano as lutas políticas que nós, mulheres, temos como central. Muitas vezes somos intimidadas a não participar dos espaços políticos do ME, sendo desestimuladas a nos vermos enquanto sujeito político. Ao nos reunirmos entre mulheres para pensar quais políticas são centrais para a nossa organização, conseguimos nos fortalecer coletivamente e pautar a nossa luta no movimento geral, sem que elas sejam minimizadas ou secundarizadas.

 

 

É por isso que a participação das mulheres no ME e na política em geral é tão importante! Precisamos dar voz às nossas pautas e, em uma sociedade que constantemente nos exclui desses espaços, é somente através da nossa organização que teremos força para isso!

 

 

Todas ao VI Encontro de Mulheres Estudantes da UNE!

 

 

É também por isso que o VI EME da UNE aparece com tanta centralidade para nós, mulheres da Oposição de Esquerda, a pouco mais de um mês para o CONUNE. Nós precisamos nos armar politicamente nesse período tão central para o ME nacional, para que nossas pautas e demandas não sejam secundarizadas ou esquecidas.

 

 

Mas esse Encontro também é muito importante para disputarmos qual é o feminismo que defendemos para a nossa entidade. O campo majoritário da UNE, que possui a maioria das cadeiras na direção da entidade, é abertamente ligado ao governo federal, o que o torna acrítico perante os ataques que vem aumentando mais a cada mês que passa. A UNE não é mais a entidade combativa dos anos 1980 e isso não teria como não aparecer em suas políticas para mulheres.

 

 

A nossa luta é pela ampliação nos investimentos na educação, para o fim da educação precarizada e pela consolidação de planos de assistência estudantil que levem em conta as especifidades de raça, gênero e sexualidade. Uma entidade dirigida por setores que tem o rabo preso com o governo federal é incapaz de levar isso às últimas consequências.

 

 

Defendemos a paridade de gênero na direção da UNE, para que cada vez mais mulheres se vejam representadas politicamente e que haja um estímulo cada vez maior para a nossa participação política. Ao invés disso, temos no campo majoritário um setor que é contra a paridade de gênero até  mesmo nas chapas para eleição de delegados para o CONUNE, defendendo apenas uma cota de 30% de mulheres.


Por isso, é muito importante a presença de todas no EME, nesse feriado do 1º de maio. Como parte da Oposição de Esquerda da UNE, precisamos disputar também os rumos da entidade no que tange as pautas das mulheres. Se queremos radicalizar as nossas lutas, isso deve passar necessariamente pela construção de um feminismo anticapitalista e combativo, que esteja na RUA contra os cortes do Governo Federal e por mais direitos! A luta das mulheres muda o mundo e vai radicalizar a UNE!

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