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Chega de revista violenta: temos direitos e queremos respeito!

12.4.2015

 

Todos os dias centenas de jovens das periferias tem seus direitos humanos violados em ‘baculejos’ policiais. Se tornam cada dia mais recorrentes os casos de tortura cometidos pelos militares, que geralmente abusam do poder em suas abordagens fazendo o uso desproporcional da força e gerando medo e pavor.

 

Nessa segunda (30.03) por volta de 22h, Policiais Militares do FTA (Força Tática de Apoio) chegaram à Praça do Henrique Jorge em Fortaleza e efetuaram uma revista em cerca de 10 jovens. Como é de costume, não foi apenas uma ação comum, mas sim um festival de violência, ameaças, humilhação e tortura contra quem ali estava. Quase todos os jovens foram agredidos com chutes e murros, chegando a agonizarem no chão, e alguns deles ainda tiveram pelos do corpo queimados e foram obrigados a comer areia. Destaca-se também as diversas ameaças proferidas contra os jovens, como de levarem tiro de sal a queima roupa. Foi desumano e sádico, sádico porque eles se divertiam com a tortura. Tudo aconteceu com a desculpa de combate às drogas, como é de praste.

A atual política de guerra às drogas tem se provado como um instrumento para perseguição e abuso contra as juventudes das periferias, sejam usuários de drogas ou não. A vontade de por fim às drogas faz os policiais perseguirem esses usuários ou quem “pareça com um”, demonstrando que a violência policial é a face mais visível do racismo e do preconceito. E pra quem duvida, as estatísticas de São Paulo provam o nível racista da atuação policial, entre os anos de 2009 e 2011, 939 casos de ações policiais foram analisados. O resultado aponta que 61% das vítimas de morte por policiais eram negras. No âmbito infanto-juvenil, os dados são mais alarmantes: entre 15 e 19 anos, duas a cada três pessoas mortas pela PM são negras.
 

A Constituição Federal nos dá o direito à vida, o direito à dignidade e também o direito a integridade física, logo ninguém deveria ser vítima de agressão física injustificada por parte de agentes do poder público.
 

A violência por agentes do Estado, que detém o uso da força, ameaça as estruturas democráticas necessárias ao estado de Direito. É preciso que o trabalho policial esteja dentro dos padrões de respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos citados anteriormente.

Que a sociedade descubra que tipo de polícia ela quer: uma polícia que respeite os direitos do cidadão, que exista para dar segurança e não para praticar a violência; ou uma polícia corrupta (que livra de flagrantes os filhos das classes altas) e arbitrária (que utiliza a tortura e o extermínio como métodos preferenciais de trabalho e que atingem na sua maioria as classes pobres).

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