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Aqui está o povo sem medo de lutar!

O movimento RUA – Juventude Anticapitalista constrói a Frente Povo Sem Medo, desde a sua fundação em outubro de 2015, para fazer resistência aos planos de austeridade, à retirada de direitos e ao conservadorismo provocados pelos governos e Congresso Nacional. Veja o manifesto de fundação da frente em: https://goo.gl/927PEo

A emergência dessa experiência de frente única, que reúne setores diversos do movimento sindical, popular, estudantil, da cultura e midiativismo*, é resultado de uma conjuntura defensiva para a nossa classe e para os povos oprimidos, que é marcada pela necessidade de fazer mobilizações de massas e unitárias para defender os direitos que já temos. Não podemos titubear: há uma virada na relação de forças em favor do capital e seus interesses que tem como consequência prática uma brutal ofensiva sobre os direitos, as relações de trabalho e a democracia.

Isso porque os de cima, a burguesia e as elites, estão impondo uma dinâmica de ajustes e (contra)reformas que reordenam o Estado brasileiro, para intensificar a superexploração e manter as taxas de lucro dos bancos, grandes corporações, empreiteiras, agronegócio e mineradoras. Estão repassando a conta da crise econômica para os de baixo, para os(as) trabalhadores(as) e oprimidos(as) pagarem, retirando o pouco que tínhamos, diminuindo salários, provocando demissões em massa, retirando direitos trabalhistas e sociais. Não podemos permitir!

Nós, do movimento RUA, acreditamos que o golpe parlamentar em 2016, com o impeachment da Dilma (PT), é parte dessa virada na conjuntura que deve ser combatida. É uma demonstração de que a crise esgotou a estratégia de conciliação de classes adotada pelo PT e a substituiu por uma dinâmica de implementação ortodoxa do neoliberalismo.

A aprovação da Emenda Constitucional 95, que limita por 20 anos os gastos públicos nas áreas sociais, independentemente das desigualdades sociais estarem se aprofundando, da Reforma Trabalhista, que altera em mais de 100 pontos a legislação do trabalho para favorecer os empregadores, conter o movimento sindical e precarizar o trabalho,  das mudanças na legislação do trabalho análogo ao escravo, que beneficiam os exploradores em detrimento das vítimas, o aumento dos juros e das taxas nas contas de água e luz, são apenas alguns exemplos dessa avalanche neoliberal.

Por isso, fizemos lutas por mais direitos, contra as privatizações, os ajustes fiscais, as medidas de arrocho e a lei antiterrorismo implementados durante os governos do PT e, agora, precisamos reunir amplas forças sociais para enfrentar Temer e a maioria do Congresso Nacional que, por meio de uma manobra parlamentar, colocaram um presidente impopular e corrupto, sem qualquer compromisso com as necessidades populares.

A Frente Povo Sem Medo se apresenta como pólo mais dinâmico, independente e enraizado, capaz de fazer síntese entre novos e velhos instrumentos de organização e construir as necessárias  mobilizações populares de massas contra esses retrocessos.

Essa também é a forma de enfrentar a direita que destila ódio à esquerda, que convoca o retorno de uma ditadura militar e que se apoia no fundamentalismo religioso para atacar mulheres, LGBTs, negros e negras, imigrantes, indígenas e quilombolas. A frente única, a Frente Povo Sem Medo, é importante para responder à direita que se mobiliza contra o Estado laico, as liberdades democráticas, que defende o projeto Escola Sem Partido, que é contra a incorporação de gênero nos Planos Municipais de Educação, que trabalha constantemente para manter o status quo e evitar o enfrentamento ao machismo, ao racismo, à LGBTfobia e à xenofobia. Não podemos permitir o avanço do conservadorismo, nem que saídas autoritárias, como o Trump nos Estados Unidos, Macri na Argentina e Macron na França, ganhem espaço no Brasil, como resposta à crise civilizatória.

De 2015 para cá, a Frente Povo Sem Medo organizou trancamentos durante as greves gerais, mobilizações com peso de massas contra os ajustes, o golpe, o conservadorismo, a Reforma Trabalhista e a tentativa de aprovar a Reforma da Previdência. Ocupou o Escritório da Presidência e organizou marchas à Brasília. Esteve lado a lado com a primavera feminista que derrubou o Eduardo Cunha, com as LGBTs que se indignaram com a “cura gay”, com a negritude que ocupou as ruas, com a marcha de mulheres negras, pela consciência negra e na marcha da periferia. Mobilizou artistas e milhares de pessoas pelas Diretas Já, em favor da democracia. E, ainda assim, não conseguimos mudar a dinâmica defensiva da conjuntura. Ainda é preciso fortalecer (e muito!) os instrumentos de frente única e unidade de ação para barrar os ataques.

Por isso, participamos ativamente da iniciativa Vamos - Sem Medo de Mudar o Brasil, para discutir nas praças e nas redes um programa alternativo, de esquerda, para mudar o Brasil, com garantia de direitos. O resultado dessa iniciativa, sem a pretensão de ser um programa pronto e acabado, expressa diretrizes programáticas básicas para guiar a resistência e enfrentar os interesses do capital no Brasil. Veja a síntese dessa primeira experiência da Vamos em: www.vamosmudar.org.br

Somos parte da iniciativa de retomada do trabalho de base que a Frente Povo Sem Medo assumiu com a construção de núcleos em bairros, periferias e favelas. É preciso reconstruir espaços que façam a luta por projeto de país e, ao mesmo tempo, por demandas locais que incidam na realidade concreta das pessoas onde moram, estudam e trabalham.

A reorganização da esquerda é um processo de longo prazo e sabemos que nossa luta está apenas começando: precisamos reaglutinar forças sociais, retomar um horizonte anticapitalista de massas, construir um novo bloco histórico que seja capaz de superar a experiência de conciliação de classes petista e fortalecer novos instrumentos classistas para impulsionar a auto-organização dos(as) lutadores(as). Aqui está o povo sem medo de lutar!

*Fazem parte da Frente Povo Sem Medo o movimento RUA – Juventude Anticapitalista, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central da Classe Trabalhadora (Intersindical), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Bloco de Resistência Socialista (ligado à CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (FENET), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), a União de Núcleos de Educação Popular para Negras, Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro), a Rede Emancipa de Educação Popular, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Círculo Palmarino, a União de Negros pela Igualdade (Unegro), o Coletivo de Mulheres Olga Benário, o Coletivo Cordel, o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS), a Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), a União da Juventude Socialista (UJS), a Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL), o Coletivo Juntos, a União da Juventude Comunista (UJC), a União da Juventude Rebelião (UJR), o Coletivo Construção, a Juventude Comunista Avançando (JCA), o Mídia Ninja, a Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM), as Brigadas Populares, o Coletivo Literatura Marginal, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito;