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9 vidas interrompidas e mais de 5 mil jovens querendo viver!


Nota do RUA - Juventude Anticapitalista sobre a morte de 9 jovens durante emboscada da Polícia Militar no Baile DZ7 na favela do Paraisópolis. O primeiro de dezembro de 2019 raiou com uma das notícias mais tristes do ano em nosso país. A PM de São Paulo mais uma vez causou a morte, desta vez de nove jovens, oito homens e uma mulher (números que ainda podem aumentar, dado que há pessoas hospitalizadas) na comunidade de Paraisópolis, zona Sul da capital paulista. Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos; Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos; Eduardo Silva, 21 anos ; Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos; Mateus dos Santos Costa, 23 anos; Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos; Luara Victoria de Oliveira, 18 anos; e mais dois jovens, que até a publicação desta nota ainda não haviam sido identificados, tiveram suas vidas interrompidas. Em primeiro lugar, nos solidarizamos com toda a comunidade do Paraisópolis, com todas as famílias e amigos das vítimas, que eram de diversos bairros da cidade. Com todas e todos que passaram por essa situação violenta e horas de terror.

Vídeos com imagens da ação violenta de repressão ao baile DZ7, que reunia cerca de cinco mil pessoas, exibem o comportamento dos PMs contra aquelas e aqueles que ali estavam, muito além da perseguição a dois supostos criminosos que teriam se infiltrado na atividade cultural, como a corporação tentou justificar em entrevista coletiva. Sabemos, é comum que o Estado justifique sua violência através do argumento de legítima defesa. No caso, desta vez o Estado afirmou que foi uma “Ação de controle de distúrbios civis”, referindo-se assim, como distúrbio os jovens estarem ali, reunidos, para curtir um baile funk. No entanto, as cenas e relatos nos mostram o contrário, são flagrantes de graves violações de direitos humanos feitas por policiais, imagens de jovens sendo cercados, intimidados, agredidos, torturados, um cenário de terror e caos, promovido pelo governo do Estado de São Paulo. Não se pode dizer o contrário, o próprio Tenente-Coronel porta-voz da PM, Emerson Massera, reconheceu a ocorrência de abusos. Mas, ao mesmo tempo, Massera conseguiu ainda falar em "uso comedido" da força e que seria cedo para "falar em erro". Hoje o Brasil todo está vendo o que acontece cotidianamente nos bailes funk da cidade de São Paulo, a violência como única resposta do Estado à necessidade de acesso à cultura e demais direitos para juventude periférica. Pois sabemos, esse não é um caso isolado, nossa cidade já presenciou às chacinas de Osasco e Barueri, em 2015, e ao assassinato a pancadas da jovem Luana Barbosa dos Santos em Ribeirão Preto, no ano de 2016. No ano passado três outros cidadãos paulistas foram mortos numa ação de dispersão de um baile na cidade de Guarulhos. Um menina ficou cega após uma bala de borracha em seus olhos na “dispersão” de um baile em Guaianazes. Também tivemos o sonho de Miguel interrompido, garotinho de apenas 12 anos, morador de São José dos Campos e, mais recentemente, o adolescente Lucas Eduardo Martins dos Santos, de 14 anos, foi encontrado morto em Santo André após uma abordagem policial. Esse tipo de ação é resultado da Política de Morte incentivada pelo governador João Dória (PSDB), que já declarou que a orientação é a PM "atirar para matar" e que faria uma perseguição aos “pancadões”. No plano federal, os responsáveis por essas mortes são o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro, que tentam aprovar seu "pacote anticrime" e o "excludente de ilicitude" para acobertar e garantir impunidade a esse tipo de prática. Essa política já levou à execução, por policiais, de 358 paulistas no primeiro semestre. Exigimos imediata responsabilização do Estado, garantia integral de proteção às famílias das vítimas e testemunhas. Exigimos Justiça para o Paraisópolis! Juventude Quer Viver! Parem de nos matar!


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