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Parar por 48h, unificar as lutas até derrotar Bolsonaro!


A vida do povo tem se tornado cada vez mais dura. A promessa de uma mudança radical à direita através da eleição de Bolsonaro encantou uma parcela grande da classe trabalhadora, mas em dez meses de governo vem demonstrando que ao povo resta somente os sacrifícios. Denunciada pelos movimentos sociais e sindicatos, a reforma da previdência dizia vender os direitos do futuro - tão distante - para garantir uma vida melhor no presente. Ou o “contingenciamento” das verbas do ensino superior que ainda bloqueiam 6,1 bilhões das universidades e institutos federais e 11.800 bolsas de estudo na pós-graduação. A realidade é a perpetuação da crise econômica, alta nos preços e manutenção do desemprego em 11,8% segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), enquanto os bancos seguem lucrando e sendo subsidiados pelo governo.

Para além das reformas e do aceleramento das privatizações, Bolsonaro busca saídas para a crise através do avanço das fronteiras agrícolas, da flexibilização da legislação ambiental e de um discurso ideológico de combate aos povos originários - com uma linha desenvolvimentista também radical. Mas ao contrário do que ele pensava, as consequências não comprometem apenas o futuro, mas um presente de chamas pela Amazônia que trouxeram os olhos do mundo inteiro para nós. Ainda que qualquer ajuda da união europeia deva se

r recebida com desconfiança, já que sabemos quais são os seus interesses imperialistas em despatriar a área amazônica, a atuação de Bolsonaro com seu nacionalismo subserviente aos EUA envergonhou o Brasil com um discurso negacionista e contraditório.

Com a crise econômica e política em curso, os mecanismos de controle social endurecem. No Rio de Janeiro, a política de segurança pública adota diretrizes cada vez mais violentas – são mais de 1300 mortos nos primeiros 9 meses de governo Witzel e o escandaloso assassinato da menina Agatha de apenas 6 anos, quinta criança morta nas favelas cariocas. É a política da morte perpetuando a lógica racista da eliminação dos corpos negros.

Dentro do cenário do caos, a popularidade do governo cai. Eleito com 58% dos votos, o presidente tomou posse sob a expectativa positiva de 65% da população e hoje trafega entre 29% e 31% de aprovação. É o menor indicador para uma presidente em início de mandato, segundo Traumann. Mas a resistência também fica cada vez mais difusa. Com o cenário da descrença, do medo e dos múltiplos ataques, vemos uma fragmentação das lutas nesse segundo semestre, se comparado com o tsunami dos milhões contra os cortes na educação do primeiro. A nossa tarefa deve ser construir pontes cada vez mais sólidas entre as diversas resistências, canalizar o sentimento de insatisfação da população para as ruas e acumular forças para contra-atacar.

48h de universidades na rua, paralisações e atos:

Hoje amanhecemos com uma programação cheia de mobilizações de norte a sul do país. A frente em defesa da soberania nacional, as frentes povo sem medo e brasil popular, as centrais sindicais, movimentos sociais e entidades da educação como UNE, UBES, ANPG e ANDES fizeram um chamado para canalizar a luta pela soberania e contra o projeto future-se nos dias 2 e 3 de outubro - aproveitando o simbolismo do aniversário de 66 anos anos da Petrobras. Serão 48h de construção unitária fundamental para acumulação de forças.

As universidades tem demonstrado ser espaço de resistência. Dentre as 63 instituições federais, 27 já se pronunciaram contrárias ao projeto do Future-se e tem transformado a vida dos interventores na reitoria um pesadelo na UFFS, UNIRIO, UFRB, UFTM, UFVJM, UFC, UFGD, UFOB, UNILAB Liberdade e CEFET. Os estudantes da UFSC estão em greve e a reitoria da UFMS e da UESPI foram ocupadas. Hoje será o dia de levar o que é produzido pelas universidades para a rua, em mutirões, banquinhas e panfletagens nas praças de todo país.

Junto da luta pela educação e pela soberania nacional, precisamos trazer para a ruas as principais pautas que geraram resistência no último período. Levantar a defesa da Amazônia, que ao lado das mobilizações mundiais das #SextaspeloFuturo, organizada por ambientalistas e a juventude secundarista colocou milhares nas ruas no dia 20 de setembro e milhões no mundo todo para dizer que “não existe planeta B”. Precisamos entoar o grito pela vida, que levou milhares às ruas do Rio de Janeiro e várias capitais após o assassinato da menina Agatha, exigindo respeito e o fim do genocídio.

Cada pauta é fundamental para que na luta da oposição também se edifique uma nova alternativa. E se existiu um grito em comum, que transpassou todas as mobilizações do último período, esse grito é a urgência de derrotar Bolsonaro! Sabemos que a construção de um novo projeto é uma tarefa muito maior e mais complexa do a derrota deste que está em vigor, mas também sabemos que para defender a educação, para defender a soberania, para defender a amazônia e para defender a vida é preciso derrotar Bolsonaro!


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