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SAÚDE MENTAL IMPORTA #SetembroAmarelo


Setembro é um mês marcado pelos debates de saúde mental. É evidente que o tema tem ganhado a atenção e as energias de muitos: o adoecimento é pauta dos mais diversos fóruns, nas universidades, nas escolas, nas ruas, nas praças, onde pulsa a resistência. É com luta que vamos avançar na consciência de que a crise na saúde mental não é frescura nem culpa de quem sofre: não é normal sofrer e muito do que nos faz mal é fruto de uma forma de existir no mundo que não é compatível com a humanidade. Essa organização social é agressiva e atinge o povo de diversas formas: seja pela aceleração da vida que nos deixa a cada dia mais ansiosos, pelas cobranças, pelas competições, pela falta de perspectiva sobre nosso presente e futuro... Tudo isso se materializa na gente - que é parte do mundo - de alguma forma. Os impactos das crises pelas quais nossa sociedade atravessa se tornam a cada dia mais intensos na gente: o trabalhador que não recebe seus salários, o estudante que tem sua escola fechada, a juventude negra que se vê exterminada todos os dias, as mulheres que mal tem direito sobre seu próprio corpo, as LGBTs sendo patologizadas, a falta de nitidez sobre aposentadoria e direitos previdenciários em geral, a falta de empregos... Tudo isso faz com que a gente se torne vulnerável, muitas vezes ansioso, muitas vezes em estado depressivo, ou simplesmente mal. É isso não é nossa culpa! É culpa de um sistema que é planejado e vive a partir dessas catástrofes. A crise do capitalismo não é algo abstrato que se dá descolado dos sujeitos que vivem (ou tentam viver) nessa sociedade. Os impactos de tantas incertezas, cortes e retiradas de direito são cruéis de tantas formas que muitas vezes culminam no encerramento precoce de várias vidas. O mesmo sistema que nos adoece nos priva do tratamento, porque fecha hospital, porque não dá atendimento psicológico e psiquiátrico, porque não se importa. Nesse sentido, pra recuperar e manter o brilho nos olhos e calor no coração de todos os sujeitos, não podemos ignorar as nossas responsabilidades: tratar os quadros patológicos é importante, mas é essencial que a gente destrua tudo que nos tira o vigor de viver. Nossas lutas devem apontar pra construção de uma nova sociedade, mas também pelo fortalecimento de políticas públicas de tratamento que sejam consequentes, fugindo e se afastando da lógica manicomial que foi imposta ao povo por tantos anos. Precisamos disputar a rede de atenção psicossocial, humanizar relações e fechar o manicômio que segue aberto na gente. O afeto é poderoso e revolucionário, portanto, fortalecer nossos vínculos e lutas de forma coletiva é uma coisa que nos prepara pra lidar com as adversidades da vida e ataques contra os povos. É nas ruas que vamos construir um mundo novo, onde a vida seja valorizada e o sofrimento seja eliminado na sua expressão máxima. Que o setembro amarelo transborde esse mês e que nossas lutas pelo fortalecimento dos povos e por uma sociedade melhor seja feita todos os dias, por todos nós.


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